| O Contexto
Depois de considerada
a separação da actividade de inspecções
eléctricas do distribuidor (EDP),
havia que encontrar um modelo orientador.
A escolha recaiu sobre o exemplo francês,
que foi depois adaptado à realidade
portuguesa. Ao longo do tempo, a Certiel
foi implementando inovações na sua
forma de funcionamento, suplantando
mesmo a realidade francesa que lhe
tinha servido de referência.
O objectivo da Certiel
envolve a inspecção e certificação
das instalações eléctricas, a análise
e aprovação dos respectivos projectos
e a participação em acções de formação
ou quaisquer outras actividades que
visem melhorar a qualidade e a segurança
das instalações eléctricas no nosso
país. Desta forma, as competências
da associação incluem as seguintes:
- Receber, analisar
e aprovar projectos de instalações
eléctricas;
- Elaborar procedimentos
e critérios técnicos uniformes para
a realização de inspecções;
- Realizar, por
amostragem, inspecções a instalações
eléctricas concluídas;
- Certificar
instalações eléctricas, emitindo
os respectivos certificados de exploração;
- Cobrar taxas
pelo exercício das suas funções;
- Promover acções
de formação.
Em termos de trabalho
concreto, a actividade da Certiel
desenrola-se em torno de três grandes
eixos: análise de projectos, certificação
de instalações e formação.
Análise
de projectos. Os projectos
são enviados para análise à Certiel
ou às ERIIE (Entidades Regionais Inspectoras
de Instalações Eléctricas) pelo distribuidor
de energia ou pelo requerente. A partir
daqui são consideradas as condições
de certificação para dar seguimento
ao processo de análise, tendo em vista
a decisão final. No processo de análise,
a ERIIE em questão analisa o projecto
e contacta o técnico responsável para
esclarecimento de eventuais dúvidas
ou correcções a efectuar.
Por sua vez, cabe
à Certiel a responsabilidade de aprovar
e certificar o projecto, dando seguimento
ao parecer da ERIIE, salvo existência
de motivo que justifique a recusa
de emissão do certificado. Caso o
resultado da apreciação seja favorável,
é enviado ao requerente o respectivo
Certificado de Aprovação e são informados
o técnico responsável e a Câmara Municipal.
Certificação
das instalações. As inspecções
às instalações eléctricas, realizadas
no âmbito de um processo de amostragem,
têm como objectivo garantir o cumprimento
do Regulamento de Segurança das Instalações
de Utilização de Energia Eléctrica
(RSIUEE), do Regulamento de Segurança
das Instalações Colectivas de Edifícios
e Entradas (RSICEE) e demais legislação
aplicável.
Após o registo
informático do pedido, há lugar a
um processo informático de amostragem
que selecciona os processos para inspecção.
Segue-se a realização da inspecção
e, caso não sejam detectadas quaisquer
"não conformidades", é entregue ao
técnico responsável presente no acto
da inspecção uma Autorização Provisória
de Exploração (APE), que permitirá
ao requerente proceder ao estabelecimento
do contrato de fornecimento de energia
junto do distribuidor.
A Certiel é responsável
pela aprovação ou reprovação de um
pedido de certificação de uma instalação
eléctrica, tendo como suporte o relatório
resumo apresentado pela ERIIE. Em
caso de aprovação, emite um certificado
definitivo de exploração da instalação
eléctrica.
Formação
(seminários Certiel). A formação
ministrada pela Certiel processa-se
normalmente através de seminários
com a duração de um dia, realizados
por todo o país para facilidade dos
formandos. Os destinatários são electricistas
e técnicos responsáveis pela execução
e exploração de instalações eléctricas
de quinta categoria. A lista de formandos
também pode incluir outros especialistas,
nomeadamente, ajudantes e engenheiros.
O objectivo dos
seminários consiste em dar a conhecer,
enquadrar e explicar a aplicação das
regras técnicas electrotécnicas, no
âmbito da verificação das instalações
e dos equipamentos eléctricos de baixa
tensão. Também dão a conhecer o funcionamento
de aparelhos de verificação e são
realizados ensaios ao vivo.
A Necessidade
A solução implementada
desenvolveu-se em duas fases, segundo
nos explicou Maria João Almeida, directora
de qualidade, recursos e inovação
na Certiel.
A primeira fase
começou em 1999 e surgiu devido à
compreensão de que seria muito difícil
viver com tanto papel. Da explicação
anterior, facilmente se compreende
a enorme produção e circulação de
papel. De uma forma muito simplificada,
temos os pedidos de certificação,
a inspecção das instalações, a análise
de cada processo pelas entidades regionais
(ERIIEs), o envio dos pareceres à
Certiel, a comunicação de resultados
às câmaras, ao distribuidor e à entidade
que solicitou a certificação.
Nesta primeira
fase, havia uma aplicação desenvolvida
para trabalhar com base em equipamentos
informáticos móveis. Os inspectores
trabalhavam com base nesse equipamento
para produzirem os seus relatórios,
resultando depois num ficheiro que
era transmitido, via telemóvel, para
o sistema central da Certiel. No entanto,
esta comunicação com o sistema central
não era directa, mas antes através
da criação de um batch. O sistema
operativo disponibilizado com as máquinas
também tinha algumas limitações, nomeadamente
em termos gráficos. Apesar disso,
a solução cumpria com a maior parte
daquilo que se pretendia.
A segunda fase
está agora a ser operacionalizada
o e surgiu essencialmente devido à
evolução dos equipamentos. Havia assim
a possibilidade de melhorar significativamente
a solução anterior.
A Solução
A Sinfic esteve
envolvida na criação da solução da
segunda fase, fornecendo o equipamento
terminal, e tem capacidade para propor
ao mercado toda a solução que vamos
descrever a seguir. Recorde-se que
a solução descrita é a da segunda
fase e não a da primeira fase.

O sistema informático
da Certiel evoluiu para a segunda
fase durante o mês de Janeiro de 2005.
Equipados com terminais Psion Workabout
Pro MX até então (solução da primeira
fase), os inspectores passaram a utilizar
uma aplicação nova e equipamentos
mais modernos, os NetBook Pro (também
Psion). Graças a ecrãs tácteis de
maior dimensão, o preenchimento do
processo tornou-se mais rápido e mais
eficiente.
Os NetBook Pro
também estão dotados de um sistema
operativo WinCE 4.2 e de um processador
Intel PXA255 a 400 MHz, permitindo
assim varias melhorias relativamente
à solução anterior. Por exemplo:
- A apresentação
dos relatórios de inspecções podem
ser melhorados graficamente, mais
completos e mais precisos.
- Os equipamentos
estão munidos de uma maquina fotográfica,
pelo que os inspectores podem integrar
fotografias das instalações nos
processos de certificação.
- A sincronização
dos dados com o servidor da Certiel
é efectuada por intermédio de web
services com GSM/GPRS ou PSTN (módulos
de comunicações integrados no terminal).
- A autonomia
do equipamento é de 8 horas em utilização
contínua.
Vantagens
Tal como referiu
Oliveira Barbosa, director geral da
Certiel, com a solução implementada
é possível saber praticamente no mesmo
instante os resultados de qualquer
inspecção que seja efectuada em qualquer
ponto do país. As inspecções, a emissão
de relatórios, a circulação da informação
entre a Certiel e as entidades regionais
e a comunicação ao distribuidor é
actualmente um processo bastante célere,
graças aos meios informáticos e de
comunicação.
Maria João Almeida
explicou-nos que a inspecção de uma
instalação exige a notificação do
técnico responsável pela mesma (para
estar presente) com pelo menos 48
horas antes da inspecção. Como essa
notificação é enviada por correio,
o espaço que medeia o envio da notificação
e a inspecção propriamente dita é
sempre de uma semana, pelo menos.
Apesar das limitações
reconhecidas à solução da primeira
fase, as vantagens foram imediatamente
notórias, segundo os responsáveis
da Certiel. A simples possibilidade
de envio da informação através de
telefone móvel permitiu poupar dias
relativamente a todo o processo. Como
existem apenas três ERIIEs em Portugal,
quando um inspector se desloca a uma
dada área geográfica aproveita normalmente
para inspeccionar várias instalações,
o que poderá implicar vários dias
fora das instalações da entidade regional.
Recorde-se que as análises das ERIIEs
e da Certiel são efectuadas, em grande
medida, com base na informação dos
inspectores.
A solução da segunda
fase traz vantagens em termos gráficos
e de flexibilidade. O novo sistema
operativo permite a inserção de fotografias
das instalações, por exemplo. Também
foi integrado um modem com cartão
para dispensar a utilização do telefone
móvel. As melhorias fazem-se sentir
igualmente a nível da qualidade de
impressão. Paralelamente, o desenvolvimento
foi efectuado em linguagem Java, pelo
que a interligação com os sistemas
centrais e com a Internet ficou muito
facilitada.
De uma forma resumida,
podemos dizer que a solução da primeira
fase permitiu ganhos sobretudo ao
nível da rapidez (economias de tempo).
As vantagens da solução da segunda
fase traduzem-se sobretudo na melhoria
da qualidade da informação, no aumento
da flexibilidade e numa maior integração
entre sistemas.
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