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Fernando Costa Pinto*
No passado, as instituições
viam a formação como uma despesa necessária,
em vez de a verem como um investimento.
A óptica da formação como investimento
impôs-se como resposta aos desafios
impostos pelas próprias leis do mercado
e pela concorrência feroz, em que
a não actualização do capital intelectual
pode ser o ponto de partida para o
declínio.
O capital intelectual
passou a ter o mesmo peso que os activos
monetários das organizações. O conhecimento
é encarado agora como um artigo. Como
resultado desta mudança, os valores
anuais gastos em formação têm vindo
a aumentar constantemente, pelo que
se torna necessário demonstrar os
benefícios das iniciativas formativas.
Uma das formas de mostrar o seu real
valor consiste em calcular o retorno
do investimento (ROI) dos planos de
formação das instituições.
O retorno do investimento
é a taxa ou percentagem de retorno
do investimento efectuado. Ou seja,
poderá corresponder a um gasto maior
mas, em contrapartida, também a um
retorno maior. Uma das formas de aumentar
o ROI e reduzir a despesa é implementar
programas de formação baseados nas
novas tecnologias (e-learning).
A formação baseada no
e-learning reclama para si vários
benefícios, entre
os quais se destacam:
- A poupança
de tempo, sem diminuição dos benefícios
da aprendizagem;
- A minimização
dos custos de viagens;
- A minimização
do tempo passado fora do local de
trabalho;
- Uma maior rentabilização
dos custos (despesa que dá lucro);
- A satisfação
das exigências formativas de uma
instituição quando está geograficamente
dispersa;
- A possibilidade
de formação (mais) individualizada;
- A possibilidade
de serem alcançados resultados mais
elevados do que na formação tradicional.
Para explicar
a validade destas alegações, convém
tecer algumas considerações sobre
cada um dos benefícios referidos.
Poupança
de tempo sem diminuir os benefícios
da aprendizagem. Vários estudos
têm mostrado que o e-learning permite
poupar 35 a 45 por cento de tempo
em relação à formação tradicional,
obtendo ganhos equivalentes ou maiores
em termos de retenção e de transferência
da aprendizagem. Estes estudos foram
confirmados por Brandon Hall (www.brandon-hall.com)
em 1995. Utilizando 130 casos de estudos,
Brandon Hall verificou que, de facto,
a formação baseada nas novas tecnologias
reduziu significativamente o tempo
gasto. A redução variou entre 20 e
80 por cento, tendo sido verificados
mais casos no intervalo entre os 40
e 80 por cento. No estudo não existiu
nenhum caso que mostrasse um aumento
do tempo gasto, nem perdas de retenção
ou de aplicabilidade dos conhecimentos.
Minimização
dos custos de viagens. Durante
anos tivemos nas instituições custos
relativos a viagens, não só por parte
dos formandos (que tinham de se deslocar
para os centros de formação, ou para
alguma filial ou sede da instituição),
mas também por parte dos formadores
(que tinham de se deslocar para ministrar
a formação).
Minimização
do tempo passado fora do local de
trabalho. Como foi referido atrás,
alguns estudos efectuados mostraram
que se pode reduzir entre 40 a 80
por cento o tempo de formação, sem
perdas de retenção ou transferência
de conhecimentos. Deveremos então
contabilizar o tempo de produção que
um colaborador perde por não estar
no seu local de trabalho e ainda o
que não produz por estar em formação.
Vejamos o seguinte
exemplo. Uma empresa necessita de
ministrar uma acção de formação de
uma semana sobre Regras de Segurança
a 200 colaboradores. Vamos supor que
cada um desses colaboradores ganha
por hora cinco euros. Só em de salários,
excluindo custos de viagens, de formador…
são 200 x 5 x 40 = 40 000 euros. Neste
caso concreto, exceptuando outros
gastos, uma redução de 40 por cento
do tempo passado fora do local de
trabalho resultaria numa poupança
de 16 000 euros.
Maior
rentabilização dos custos. O desenvolvimento
ou aquisição de materiais multimédia
tem custos significativamente mais
elevados do que a formação presencial.
Obviamente que este tipo de formação
não é válido para poucos formandos.
No entanto, à medida que o número
de formandos aumenta, o custo será
reduzido drasticamente. O e-learning
pode chegar a um maior número de pessoas
de forma mais rápida sem aumentar
os custos.
Satisfação
das exigências formativas de instituições
geograficamente dispersas. O e-learning
é flexível e a formação pode acontecer
a qualquer hora e em qualquer local.
Assim sendo, é ideal para os colaboradores
que estão dispersos geograficamente.
A partir de um único local é possível
ministrar formação, ainda que os formandos
não estejam juntos.
Possibilidade
de formação mais individualizada.
Quem já deu formação em sala, sabe
como é difícil a formação individualizada
e, ao mesmo tempo, satisfazer as necessidades
dos restantes formandos. O formador
traça o ritmo da formação de acordo
com a maioria dos formandos. Várias
são as vezes em que o formador tem
de fazer "ginástica" para dar atenção
aos formandos com diferentes níveis
de retenção de conhecimentos num mesmo
tempo de formação. O facto de o formador
não ter a possibilidade de adequar
o ritmo de formação às necessidades
de cada formando constitui a maior
desvantagem da formação tradicional.
Este não é o caso
do e-learning. Alguns estudos têm
mostrado que um curso em e-learning
bem construído pode produzir uma formação
mais individualizada. O formando pode
aprender ao seu próprio ritmo e ter
acesso a recursos que lhe podem dar
um maior suporte à aprendizagem. Existe
também a possibilidade da auto-avaliação,
em que o formando vê quais são as
suas lacunas em termos de competências
para as poder colmatar.
Possibilidade
de alcançar resultados mais elevados
do que com a formação tradicional.
Os estudos têm comprovado a veracidade
desta afirmação. Um estudo de Gregory
Adams permitiu tirar as seguintes
conclusões:
- O e-learning
produziu uma curva de aprendizagem
superior em 60 por cento à da formação
tradicional;
- Os formandos
tiveram uma retenção de conhecimentos
superior;
- A aplicabilidade
dos conhecimentos na profissão passou
a ser maior;
- O facto do
e-learning ser a pedido (on demand)
faz com que os formandos tenham
o seu próprio ritmo, conseguindo
assim obter maior consistência nos
conhecimentos adquiridos;
- Ao reterem
mais conhecimentos, os formandos
conseguem ser mais produtivos, diminuem
os níveis de absentismo e desempenham
as suas tarefas com maior qualidade.
Apesar do maior
e quase imediato impacto do e-learning
(no que respeita ao ROI) poder ser
devido à diminuição das despesas em
relação à formação tradicional, o
impacto mais significativo pode ser
alcançado como consequência do e-learning.
O e-learning com qualidade não é só
mais rápido e menos dispendioso do
que a formação tradicional; também
é mais efectivo.
Fernando Costa
Pinto é consultor na unidade estratégica
de negócios e-Learning da Sinfic.
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