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Nuno Melo*
Para ir de encontro
ao desfio de colocar as pessoas operacionais
em tempo útil e com menos recursos,
as empresas necessitam de soluções
para desenvolver as potencialidades
das pessoas e melhorar o processo
de aprendizagem, proporcionando flexibilidade
de utilização e poupança de tempo
e dinheiro. Para muitas empresas,
a resposta reside na aprendizagem
multimédia interactiva.
Os benefícios inerentes
à utilização da Internet para distribuir
conhecimento às pessoas quando e onde
é necessário, estão a ser consciencializados
devido a factores como a maior capacidade
de retenção, o maior acesso à informação
e um retorno do investimento capaz
de ser avaliado.
O e-learning baseia-se
nas vantagens proporcionadas pela
formação assistida por computador,
incluindo a redução dos custos de
formação, a diminuição do tempo de
aprendizagem e maiores taxas de retenção.
A utilização da Internet para distribuir
conhecimento proporciona benefícios
adicionais, incluindo baixos custos
de produção e de distribuição, assim
como acesso fácil à informação e certificação.
No entanto, para que tudo faça sentido
é necessária uma abordagem estruturada.
Não basta juntar conteúdos e distribuí-los
através da Internet.
Os conteúdos devem ser
encarados como um todo constituído
por partes, cujo objectivo é passar
determinada mensagem. Como definição,
olhemos as partes como pedaços de
informação constituída por recursos
variados com significado próprio.
A essas partes chamamos objectos de
aprendizagem (ou LO - Learning Objects)
Estes objectos, conjugados entre si,
podem ser utilizados para transmitir
determinados conhecimentos, proporcionando
esta abordagem uma taxa de aproveitamento
bastante elevada.
Como uma analogia simplificada
ao que acabámos de referir, podemos
olhar para uma linha de montagem de
uma fábrica de automóveis, onde diferentes
modelos partilham várias peças semelhantes,
embora o resultado final sejam modelos
distintos, com aparências e filosofias
de utilização distintas.
Esta filosofia de objectos
de aprendizagem faz-nos ir de encontro
às normas internacionais (IMS, SCORM,
AICC) para criar, tratar e gerir os
objectos de forma eficiente e eficaz,
recorrendo à indexação, com a classificação
dos elementos através de metadados,
a sua organização através do empacotamento
e o acompanhamento do percurso dos
LOs ou dos formandos pelos LOs. Com
a adopção de normas garante-se uma
maior qualidade e uma independência
total relativamente a tecnologias
e a plataformas.
Para que tudo isto faça
sentido, devemos começar por abordar
o Plano Estratégico de Recursos Humanos,
sem esquecer um Diagnóstico das Necessidades
de Formação (que é uma forma de personalizar
essa mesma formação). A etapa seguinte
é a Concepção e Criação dos Conteúdos
(ou a sua aquisição), à qual se segue
a Disseminação da Formação e a Avaliação
dos Resultados Obtidos. Podemos assim
definir dois processos principais
no e-learning dentro de uma organização:
o processo de publicação e o processo
de distribuição.
O
processo de publicação engloba
a criação de conteúdos, com a sua
prévia planificação (recursos, objectos
de aprendizagem e cursos). O planeamento,
a criação e a gestão dos conteúdos
implica a classificação e o armazenamento
dos mesmos num sistema editorial,
com tarefas definidas e um fluxo de
trabalho estruturado, com perfis associados
(por exemplo, um autor responsável
por criar e classificar unidades de
aprendizagem, um outro perfil responsável
por agrupar essas unidades de aprendizagem
com o objectivo de criar cursos).
No fundo, estamos a falar de uma estrutura
que possa ser organizada em função
das necessidades de cada organização.
O
processo de distribuição engloba
a entrega dos conteúdos (sob a forma
de cursos) aos utilizadores finais,
através de uma infra-estrutura web
(Internet ou intranet). Este processo
de distribuição e acompanhamento do
desenrolar do curso fica normalmente
a cargo de um sistema de gestão de
aprendizagem (LMS - Learning Management
System), que pode ter ou não associados
uma série de serviços destinados a
ajudar na comunicação entre os formandos
e/ou entre os formandos e o(s) formador(es)
- por exemplo um chat, um fórum de
discussão, FAQs (perguntas frequentes),
news, etc. A avaliação pode estar
(ou não) incorporada directamente
no LMS, mas é de extrema importância,
pois ajuda a compreender o resultado
do esforço formativo.
* Nuno Melo é consultor
na unidade estratégica de negócios
de e-Learning da Sinfic.
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