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Subjacente a esta revisão
está uma profunda mudança de paradigma,
de modo a instaurar uma filosofia
de educação permanente, pautada nas
estratégias organizacionais. As universidades
corporativas, baseadas nos pressupostos
de educação à distância e e-learning,
surgem como uma resposta para esta
mudança.
Tradicionalmente, o
processo de educação dentro das organizações
era considerado (e em muitos casos
ainda é) uma função do departamento
de recursos humanos, mais precisamente,
da área de formação e desenvolvimento.
À medida que cresce a consciência
de que a educação é um processo contínuo
e não um evento isolado, a educação
corporativa ganha força nas organizações.
Educação corporativa
A "educação corporativa
é a utilização de sistemas educacionais
que visam o desenvolvimento de atitudes,
posturas e habilidades, e não apenas
o conhecimento técnico e instrumental
dos colaboradores de uma organização,
tendo como objectivo final a consecução
dos objectivos de negócio" (Eboli).
Para Meister, a educação
corporativa tem por finalidade o desenvolvimento
e educação dos colaboradores, clientes
e fornecedores, visando atender às
estratégias empresariais. O objectivo
da aprendizagem corporativa é desenvolver
meios para alavancar novas oportunidades,
entrar em novos mercados, criar relacionamentos
mais profundos com os clientes e impulsionar
a organização para um novo futuro.
Das necessidades de
educação corporativa surgem as universidades
corporativas. Neste caso, a questão
não está propriamente no nome, mas
antes no enfoque. O enfoque da universidade
corporativa é o processo de aprendizagem
permanente dentro da organização,
ao invés da aprendizagem centrada
em eventos definidos e realizados
em locais físicos predeterminados,
visando o desenvolvimento de qualificações
isoladas (Meister).
O surgimento e a
importância da universidade corporativa
O conceito de universidade
corporativa é relativamente novo e
está quase sempre associado às possibilidades
da educação à distância dentro do
ambiente organizacional, sem descartar
necessariamente as formas de ensino
presencial. Steil defende que as definições
de universidade corporativa não seguem
um consenso, indo desde "centros de
formação rebaptizados", até organizações
que oferecem diplomas superiores,
o que resulta em estatísticas não
convergentes sobre o número de universidades
corporativas em funcionamento.
Um outro autor (Franco),
define universidade corporativa como
uma actividade estrategicamente orientada
para integrar o desenvolvimento das
pessoas (enquanto indivíduos) com
o desempenho esperado delas enquanto
elementos de equipas, de modo a que
todos possuam uma visão estratégica
dos destinos da organização.
A universidade corporativa
é o modelo mais comum na aplicação
do conceito de educação corporativa.
É um processo centralizado de soluções
de aprendizagem com relevância estratégica
para uma família de cargos ou funções
e para as competências essenciais
da organização. Convém sublinhar,
no entanto, que este modelo não é
estático.
A missão destas universidades
é formar e desenvolver os talentos
humanos na gestão dos negócios, promovendo
a gestão do conhecimento organizacional
(geração, assimilação, difusão e aplicação),
por meio de um processo de aprendizagem
activa e contínua. O seu principal
objectivo é desenvolver e instalar
competências profissionais, técnicas
e de gestão consideradas essenciais
para a viabilização das estratégias
de negócio.
Os
objectivos globais da universidade
corporativa são os seguintes:
- Difundir a
ideia de que o capital intelectual
será um factor de diferenciação;
- Despertar nos
talentos humanos a vocação para
a aprendizagem;
- Incentivar
e estruturar actividades de autodesenvolvimento;
- Motivar e reter
os melhores talentos, contribuindo
para o aumento da felicidade pessoal
num clima organizacional saudável;
- Responsabilizar
cada talento pelo seu processo de
autodesenvolvimento.
Além dos objectivos
globais, existem três aspectos importantes
que convém destacar relativamente
às universidades corporativas:
- O enfoque na
aprendizagem, privilegiando a aprendizagem
organizacional e fortalecendo a
cultura corporativa (e não apenas
o conhecimento individual);
- O público alvo
inclui os públicos internos e externos
(empregados, prestadores de serviços
e demais colaboradores, clientes,
consumidores, fornecedores e comunidade);
- Ênfase dos
currículos. Existe um objectivo
estratégico, concentrando-se nas
necessidades do negócios e não exclusivamente
nas necessidades individuais.
As universidades
corporativas variam em função da cultura
e das necessidades de cada negócio.
Contudo têm alguns traços comuns.
Por exemplo, oferecem oportunidades
de aprendizagem que sustentam as mais
importantes questões empresariais
da organização. As universidades corporativas
surgiram como instrumento estratégico
de gestão da aprendizagem e do desenvolvimento
dos colaboradores.
Por outro lado,
uma vez que as organizações precisam
que as pessoas aprendam o mais rapidamente
possível, acompanhando a velocidade
de geração de conhecimento do mundo
actual, as universidades corporativas
têm por objectivo alinhar as iniciativas
de aprendizagem com a estratégia da
organização, considerando a cultura
organizacional, o contexto organizacional
(produção, fornecedores e mercado)
e as competências essenciais.
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