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O eLearning
já passou de moda, ou ainda tem margem
de evolução até atingir o seu verdadeiro
potencial?
Na realidade,
acho que ambas as ideias são verdadeiras.
O eLearning é claramente uma capacidade
comum em muitas empresas e existe
há vários anos um mercado de eLearning
bem estabelecido e robusto do lado
da oferta. Desta forma, pode dizer-se
que o eLearning já atingiu um bom
grau de maturidade e que se está a
tornar cada vez mais presente em muitos
sectores e empresas.
No entanto, isto
não significa que tenha atingido essa
maturidade em todo o lado, ou que
o eLearning tenha atingido os limites
relativamente aquilo que pode fazer.
Continuamos a encontrar grandes organizações
que utilizam muito pouco o eLearning.
Apesar de existir a percepção de que
este atraso é determinado pela dificuldade
de aceitação dos formandos, na realidade
vemo-lo mais como um problema cultural
de aprendizagem e desenvolvimento
de competências, do que como um problema
de infra-estrutura e de aceitação
por parte dos formandos.
Por outro lado,
apesar do eLearning já ter um bom
nível de maturidade, continua a evoluir
rapidamente. Por exemplo, está a diversificar-se
a partir do modelo de e-cursos estruturados
(oriundo da formação baseada em computador/Web),
adoptando uma visão mais holística
da aprendizagem potenciada pela tecnologia,
com muitas abordagens e soluções.
Onde acha
que o eLearning é verdadeiramente
uma mais valia e onde acha que tem
limitações?
Se entendermos
o eLearning como e-cursos, tem um
papel importante no desenvolvimento
de conhecimento ou de capacidades
básicas em praticamente qualquer área.
O aspecto chave disponibilizado é
uma abordagem de aprendizagem consistente
numa base escalável e distribuída.
Esta é uma enorme vantagem para as
grandes organizações, ou para a formação
de um grande número de pessoas.
Isto aplica-se
especialmente à parte de "aquisição"
do processo de aprendizagem. Em alguns
temas também se aplica à parte "prática",
sobretudo quando estão envolvidos
sistemas de tecnologias de informação
(TI), ou quando o assunto pode ser
modelado para prática online ou sob
a forma de simulação.
Outro aspecto
do eLearning, como a avaliação electrónica,
pode ser utilizada de uma forma alargada
para todas as formas de aprendizagem,
tanto para teste e avaliação formais,
como para diagnóstico pessoal para
facilitar o processo de aprendizagem.
Não digo que utilizem apenas o eLearning
para questões de conformidade - que
tem sido uma das suas grandes vertentes
impulsionadoras. Existem claramente
vantagens para esse fim, tanto em
termos de consistência, como de escalabilidade,
sem esquecer ainda as vantagens inerentes
ao acompanhamento automático e aos
relatórios.
Contudo, o eLearning
pode e deve ser aplicado de uma forma
mais geral, tanto como uma solução
isolada e integrada em programas,
como para a avaliação, suporte ao
desempenho, e aprendizagem avançada
e especializada, por exemplo.
Relativamente
às limitações do eLearning, devem-se
em parte às dificuldades de o colocar
em prática de forma adequada. Por
vezes, também têm a ver com o tema
em questão. As pessoas costumam concentrar-se
apenas nas limitações do tema em questão,
mas eu acho que se pode conseguir
um eLearning de alta qualidade e eficácia
em práticamente todos os temas que
possa imaginar.
No entanto, a
disponibilização de e-cursos estruturados
que exijam mais 30 minutos para serem
concluídos cria obviamente limitações.
As pesquisas da Elearnity mostram
uma mudança do suporte ao desempenho
e dos materiais referenceware (destinadas
a responder a necessidades imeditatas),
para necessidades de aprendizagem
mais profundas. Mais do que uma abordagem
aplicável a tudo, está a optar-se
por abordagens mais específicas.
Quando se
fala de eLearning rápido, costuma-se
perguntar qual a melhor ferramenta.
Na sua opinião, existe uma grande
diferença entre produtos? E quais
são as limitações do eLearning rápido?
Na minha opinião,
está a dar-se demasiada atenção à
parte das ferramentas do eLearning
rápido. Não existem dúvidas de que
o eLearning rápido é uma área em crescimento
em praticamente todas as organizações,
e que muito do debate actual anda
em torno da selecção de ferramentas.
No entanto, as pesquisas da Elearnity
não corroboram isso. É verdade que
uma má ferramenta será uma barreira,
mas uma boa ferramenta também não
é garantia de sucesso. A grande questão
a este nível tem a ver com o processo
e as competências, e não com a ferramenta.
Por processo, quero dizer todo o processo,
e não apenas o trabalho de desenvolvimento.
O eLearning rápido
para a maior parte das empresas é
aquilo que descrevo como a diversificação
do eLearning. Tem a ver com o colapso
da cadeia de fornecimento do e-conteúdo,
e com uma maior aproximação da publicação
aos especialistas no assunto em questão
- com estes últimos a serem responsáveis
por esse trabalho, ou delegando-o
em alguém com quem possam trabalhar
de uma forma estreita.
Para se conseguir
isto, são necessárias ferramentas
que possam ser utilizadas por pessoas
que não sejam especialistas em eLearning.
Além disso, é necessário criar aprendizagem
válida - o que representa o verdadeiro
desafio. As empresas já provaram que
conseguem criar toneladas de apresentações
em PowerPoint, mas quantas delas são
aprendizagem de alta qualidade? As
ferramentas rápidas podem agravar
ainda mais este problema - especialmente
se as pessoas a trabalhar na produção
não têm competências instrucionais.
Podem saber muito sobre o tema em
questão, mas será que percebem de
"aprendizagem".
Os conteúdos só
são acessíveis se estiverem acessíveis
e forem utilizáveis - e se forem válidos.
São grandes os desafios que se colocam
às organizações, com muitas pessoas
a criarem conteúdos e a tentarem passá-los
pelo crivo estreito da equipa de eLearning,
a fim de serem publicados no sistema
de gestão de aprendizagem (LMS) da
empresa.
Em resumo, os
conceitos do eLearning rápido são
uma parte importante da diversificação
do eLearning, e têm um papel importante
a desempenhar na criação de conteúdos
locais. No entanto, fazem parte de
uma problemática muito mais alargada.
E o enfoque exclusivo nas ferramentas
não tem razão de ser.
Fala-se
muito que uma intranet pode facilitar
a aprendizagem informal. Acha que
o potencial desta tecnologia está
a ser explorado pelas organizações?
A aprendizagem
informal emergiu recentemente como
um grande tópico entre os comentadores
deste mercado, mas não acho que tenha
tido um grande impacto no pensamento
empresarial, pelo menos por enquanto.
Algumas das empresas têm falado desta
questão publicamente, mas a maior
parte das organizações continuam a
concentrar-se na sua agenda de aprendizagem
formal. E não espero que esta situação
mude muito a curto prazo. Contudo,
talvez se torne uma questão mais explícita
em 2008 e depois.
Acho que a tecnologia
tem um papel importante a desempenhar
relativamente à aprendizagem informal,
mas primeiro é preciso compreender
o que se quer dizer com aprendizagem
informal. É aqui que se torna um pouco
vaga a ideia de que 80 por cento da
aprendizagem é informal. Por exemplo,
o treino é formal ou informal? Muita
da aprendizagem nas empresas não é
gerida nem acompanhada pela área de
aprendizagem e desenvolvimento, mas
isso não quer dizer que seja informal.
Pode ser muito estruturada e fornecida
por formadores profissionais, e não
ser descrita centralmente como programa
ou curso formal.
A tecnologia pode
ajudar claramente a facilitar a aprendizagem
informal, tanto através de buscas,
como de acesso a conteúdos e a pessoas.
Possivelmente, a maior ferramenta
de aprendizagem do planeta chama-se
Internet, e um dos seus principais
LMSs chama-se Google. Mas não é assim
que as pessoas pensam nisso. A adopção
de um pensamento mais informal a nível
interno nas empresas, aliada a verramentas
de colaboração ao vivo poderá ser
um começo nesse sentido. No entanto,
também espero assistir a uma maior
pressão sobre a integração entre os
processos e conteúdos de aprendizagem
com os processos e conteúdos de trabalho.
Actualmente, tendem
a ser bastante distintos na maior
parte das empresas, mas a aprendizagem
informal irá esbater as fronteiras.
A nível do back-end, isto significará
um crescimento da gestão de conteúdos
e das buscas integradas.
Como é que
tecnologias como o podcasting, wikis…
acrescentam valor ao potencial do
eLearning?
Sou uma pessoa
que gasta a maior parte da sua vida
a aprender online e de forma informal,
sobretudo através da Internet, mas
acho que os podcasts, por si só, são
muito limitadores. Ter que ouvir algo
para chegar à conclusão se vale a
pena ouvi-lo, é um nonsense. Apesar
disso, acho que é um meio importante,
especialmente para disponibilizar
através de equipamentos móveis e não
visuais.
Algumas pesquisas
recentes mostraram que só 13 por cento
das empresas que adoptaram inicialmente
os wikis estão a utilizá.los de forma
regular. Como tal, não ainda são comuns
para efeitos de aprendizagem. Contudo,
o conceito de conteúdos de aprendizagem
que se criam automaticamente de forma
colaborativa é muito interessante.
As investigações têm mostrado que
a retenção da aprendizagem é melhorada
de forma significativa quando nos
tornamos professores, e deixamos de
ser apenas alunos.
Esta dinâmica
está sub-explorada actualmente e acho
que tem potencial para se tornar muito
útil, particularmente para a aprendizagem
com finalidades de desenvolvimento,
e não tanto para a aquisição de conhecimentos
básicos. No entanto, como acontece
com qualquer abordagem colaborativa,
existem os problemas inerentes à não
contribuição, ao controlo editorial,
etc. Mesmo assim, estes problemas
podem ser resolvidos. Espero uma maior
utilização das abordagens de tipo
wiki no futuro, embora provavelmente
com uma estrutura de aprendizagem
incluída nas templates wiki, de modo
a facilidar a sua gestão e a validar
o processo e os resultados de aprendizagem.
Como acha
que será a aprendizagem dentro de
cinco anos?
Em parte, isso
depende da forma como aprendemos actualmente.
As empresas e os indivíduos que estão
actualmente muito orientados para
as abordagens de aprendizagem formais
e tradicionais, nos próximos cinco
anos irão passar por alterações lentas,
mas crescentes. As pressões crescentes
sobre as empresas irão forçar-nos
a alterar os pressupostos sobre a
forma, o local e o espaço temporal
em que aprendemos. Teremos que aprender
online e provavelmente por intermédio
de equipamentos móveis para nos mantermos
actualizados e concorrenciais.
Passará a utilizar-se
a e-avaliação para orientarmos o tempo
de aprendizagem, bem como para certificar
a conclusão dessa aprendizagem com
sucesso. A maior parte do tempo de
aprendizagem será acompanhado e reportado,
de modo a permitir o acesso a aprendizagem
mais relevante para cada caso. Muito
disto já está disponível actualmente,
mas irá tornar-se omnipresente em
muitas organizações, especialmente
nas de maior dimensão.
Quem (indivíduos
e empresas) já está a aprender online
e principalmente de forma informal,
ou através das suas próprias pesquisas
na Internet ou numa rede pessoal,
irá passar por alterações ainda mais
significativas. A aprendizagem em
qualquer local irá tornar-se um requisito
chave, através de qualquer equipamento
conectado. Muita da aprendizagem será
disponibilizada de forma informal,
mas através de mecanismos formais,
para facilitar a sua localização,
o acesso e disponibilização por intermédio
de vários meios, dependendo do contexto.
Muito disto terá a ver com o acesso
a pessoas, e não apenas com o acesso
a conteúdos. O enfoque residirá nas
necessidades e no contexto específicos
de cada caso, bem como na integração
com outros mecanismos de aprendizagem
para adicionar maior profundidade
ou contexto quando necessário.
Um maior volume
de aprendizagem será colaborativo,
em vez de individual, tanto em termos
síncronos como assíncronos. As empresas
precisarão de disponibilizar um ambiente
de aprendizagem holístico, orientado
para a disponibilização dos serviços
referidos atrás, e não tanto para
a disponibilização de conteúdos de
aprendizagem genéricos.
Os programas de
aprendizagem formais continuarão a
existir, mas passarão a representar
uma percentagem mais pequena do tempo
de aprendizagem reconhecido. Os programas
irão misturar processos de aprendizagem,
utilizando o eLearning e a aprendizagem
cara a cara para maximixar o valor
e o impacto, bem como para maximizar
a flexibilidade.
Existem outras
novas áreas de aprendizagem para as
quais esperamos uma maior adopção.
Já falei dos wikise das ferramentas
colaborativas. Mas também se espera
uma maior utilização dos jogos e das
simulações complexas, bem como dos
agentes de aprendizagem inteligentes
para agregar e personalizar a aprendizagem.
Se isto vai acontecer nos próximos
cinco anos, é algo a que responderia
sim, pelo menos em parte. Mas muitas
das implicações generalizadas só se
irão sentir para além dessa data.
Em resumo, muita
da tecnologia já existe actualmente,
embora não esteja bem conectada nem
seja tão omnipresente. O desafio para
muitas das grandes organizações será
conseguirem assimilar tudo isto de
forma suficientemente rápida para
se manterem a par dos seus concorrentes
mais ágeis. Isto é especialmente difícil
numa fase global, e quando é necessário
migrar a infra-estrutura de TI empresarial.
Mas também se chegará cada vez mais
à conclusão que a não aprendizagem
desta forma é algo que a maioria das
organizações não conseguirá suportar,
tanto em termos de custo, como de
tempo.
Baseado numa
entrevista intitulada "The Future
for E-Learning", publicada em http://elearnity.blogspot.com/2007/01/future-for-e-learning.html.
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