Subscrever newsletter Não desejo continuar a receber a newsletter
SINFIC insight - A newslettes semanal
Esta semana: eLearning  
Newsletter n.º 102  26 Fevereiro 2007  
 
 

O Futuro do eLearning

A entrevista que se segue foi feita a David Wilson, fundador e gestor na Elearnity, e uma das principais autoridades em inovação de aprendizagem e e-Learning na Europa. A entrevista foi concedida à TrainingZONE e versa sobre o presente e sobre as possibilidades futuras do eLearning. Por uma questão de espaço, traduzimos apenas o essencial da entrevista.

 

O eLearning já passou de moda, ou ainda tem margem de evolução até atingir o seu verdadeiro potencial?

Na realidade, acho que ambas as ideias são verdadeiras. O eLearning é claramente uma capacidade comum em muitas empresas e existe há vários anos um mercado de eLearning bem estabelecido e robusto do lado da oferta. Desta forma, pode dizer-se que o eLearning já atingiu um bom grau de maturidade e que se está a tornar cada vez mais presente em muitos sectores e empresas.

No entanto, isto não significa que tenha atingido essa maturidade em todo o lado, ou que o eLearning tenha atingido os limites relativamente aquilo que pode fazer. Continuamos a encontrar grandes organizações que utilizam muito pouco o eLearning. Apesar de existir a percepção de que este atraso é determinado pela dificuldade de aceitação dos formandos, na realidade vemo-lo mais como um problema cultural de aprendizagem e desenvolvimento de competências, do que como um problema de infra-estrutura e de aceitação por parte dos formandos.

Por outro lado, apesar do eLearning já ter um bom nível de maturidade, continua a evoluir rapidamente. Por exemplo, está a diversificar-se a partir do modelo de e-cursos estruturados (oriundo da formação baseada em computador/Web), adoptando uma visão mais holística da aprendizagem potenciada pela tecnologia, com muitas abordagens e soluções.

Onde acha que o eLearning é verdadeiramente uma mais valia e onde acha que tem limitações?

Se entendermos o eLearning como e-cursos, tem um papel importante no desenvolvimento de conhecimento ou de capacidades básicas em praticamente qualquer área. O aspecto chave disponibilizado é uma abordagem de aprendizagem consistente numa base escalável e distribuída. Esta é uma enorme vantagem para as grandes organizações, ou para a formação de um grande número de pessoas.

Isto aplica-se especialmente à parte de "aquisição" do processo de aprendizagem. Em alguns temas também se aplica à parte "prática", sobretudo quando estão envolvidos sistemas de tecnologias de informação (TI), ou quando o assunto pode ser modelado para prática online ou sob a forma de simulação.

Outro aspecto do eLearning, como a avaliação electrónica, pode ser utilizada de uma forma alargada para todas as formas de aprendizagem, tanto para teste e avaliação formais, como para diagnóstico pessoal para facilitar o processo de aprendizagem. Não digo que utilizem apenas o eLearning para questões de conformidade - que tem sido uma das suas grandes vertentes impulsionadoras. Existem claramente vantagens para esse fim, tanto em termos de consistência, como de escalabilidade, sem esquecer ainda as vantagens inerentes ao acompanhamento automático e aos relatórios.

Contudo, o eLearning pode e deve ser aplicado de uma forma mais geral, tanto como uma solução isolada e integrada em programas, como para a avaliação, suporte ao desempenho, e aprendizagem avançada e especializada, por exemplo.

Relativamente às limitações do eLearning, devem-se em parte às dificuldades de o colocar em prática de forma adequada. Por vezes, também têm a ver com o tema em questão. As pessoas costumam concentrar-se apenas nas limitações do tema em questão, mas eu acho que se pode conseguir um eLearning de alta qualidade e eficácia em práticamente todos os temas que possa imaginar.

No entanto, a disponibilização de e-cursos estruturados que exijam mais 30 minutos para serem concluídos cria obviamente limitações. As pesquisas da Elearnity mostram uma mudança do suporte ao desempenho e dos materiais referenceware (destinadas a responder a necessidades imeditatas), para necessidades de aprendizagem mais profundas. Mais do que uma abordagem aplicável a tudo, está a optar-se por abordagens mais específicas.

Quando se fala de eLearning rápido, costuma-se perguntar qual a melhor ferramenta. Na sua opinião, existe uma grande diferença entre produtos? E quais são as limitações do eLearning rápido?

Na minha opinião, está a dar-se demasiada atenção à parte das ferramentas do eLearning rápido. Não existem dúvidas de que o eLearning rápido é uma área em crescimento em praticamente todas as organizações, e que muito do debate actual anda em torno da selecção de ferramentas. No entanto, as pesquisas da Elearnity não corroboram isso. É verdade que uma má ferramenta será uma barreira, mas uma boa ferramenta também não é garantia de sucesso. A grande questão a este nível tem a ver com o processo e as competências, e não com a ferramenta. Por processo, quero dizer todo o processo, e não apenas o trabalho de desenvolvimento.

O eLearning rápido para a maior parte das empresas é aquilo que descrevo como a diversificação do eLearning. Tem a ver com o colapso da cadeia de fornecimento do e-conteúdo, e com uma maior aproximação da publicação aos especialistas no assunto em questão - com estes últimos a serem responsáveis por esse trabalho, ou delegando-o em alguém com quem possam trabalhar de uma forma estreita.

Para se conseguir isto, são necessárias ferramentas que possam ser utilizadas por pessoas que não sejam especialistas em eLearning. Além disso, é necessário criar aprendizagem válida - o que representa o verdadeiro desafio. As empresas já provaram que conseguem criar toneladas de apresentações em PowerPoint, mas quantas delas são aprendizagem de alta qualidade? As ferramentas rápidas podem agravar ainda mais este problema - especialmente se as pessoas a trabalhar na produção não têm competências instrucionais. Podem saber muito sobre o tema em questão, mas será que percebem de "aprendizagem".

Os conteúdos só são acessíveis se estiverem acessíveis e forem utilizáveis - e se forem válidos. São grandes os desafios que se colocam às organizações, com muitas pessoas a criarem conteúdos e a tentarem passá-los pelo crivo estreito da equipa de eLearning, a fim de serem publicados no sistema de gestão de aprendizagem (LMS) da empresa.

Em resumo, os conceitos do eLearning rápido são uma parte importante da diversificação do eLearning, e têm um papel importante a desempenhar na criação de conteúdos locais. No entanto, fazem parte de uma problemática muito mais alargada. E o enfoque exclusivo nas ferramentas não tem razão de ser.

Fala-se muito que uma intranet pode facilitar a aprendizagem informal. Acha que o potencial desta tecnologia está a ser explorado pelas organizações?

A aprendizagem informal emergiu recentemente como um grande tópico entre os comentadores deste mercado, mas não acho que tenha tido um grande impacto no pensamento empresarial, pelo menos por enquanto. Algumas das empresas têm falado desta questão publicamente, mas a maior parte das organizações continuam a concentrar-se na sua agenda de aprendizagem formal. E não espero que esta situação mude muito a curto prazo. Contudo, talvez se torne uma questão mais explícita em 2008 e depois.

Acho que a tecnologia tem um papel importante a desempenhar relativamente à aprendizagem informal, mas primeiro é preciso compreender o que se quer dizer com aprendizagem informal. É aqui que se torna um pouco vaga a ideia de que 80 por cento da aprendizagem é informal. Por exemplo, o treino é formal ou informal? Muita da aprendizagem nas empresas não é gerida nem acompanhada pela área de aprendizagem e desenvolvimento, mas isso não quer dizer que seja informal. Pode ser muito estruturada e fornecida por formadores profissionais, e não ser descrita centralmente como programa ou curso formal.

A tecnologia pode ajudar claramente a facilitar a aprendizagem informal, tanto através de buscas, como de acesso a conteúdos e a pessoas. Possivelmente, a maior ferramenta de aprendizagem do planeta chama-se Internet, e um dos seus principais LMSs chama-se Google. Mas não é assim que as pessoas pensam nisso. A adopção de um pensamento mais informal a nível interno nas empresas, aliada a verramentas de colaboração ao vivo poderá ser um começo nesse sentido. No entanto, também espero assistir a uma maior pressão sobre a integração entre os processos e conteúdos de aprendizagem com os processos e conteúdos de trabalho.

Actualmente, tendem a ser bastante distintos na maior parte das empresas, mas a aprendizagem informal irá esbater as fronteiras. A nível do back-end, isto significará um crescimento da gestão de conteúdos e das buscas integradas.

Como é que tecnologias como o podcasting, wikis… acrescentam valor ao potencial do eLearning?

Sou uma pessoa que gasta a maior parte da sua vida a aprender online e de forma informal, sobretudo através da Internet, mas acho que os podcasts, por si só, são muito limitadores. Ter que ouvir algo para chegar à conclusão se vale a pena ouvi-lo, é um nonsense. Apesar disso, acho que é um meio importante, especialmente para disponibilizar através de equipamentos móveis e não visuais.

Algumas pesquisas recentes mostraram que só 13 por cento das empresas que adoptaram inicialmente os wikis estão a utilizá.los de forma regular. Como tal, não ainda são comuns para efeitos de aprendizagem. Contudo, o conceito de conteúdos de aprendizagem que se criam automaticamente de forma colaborativa é muito interessante. As investigações têm mostrado que a retenção da aprendizagem é melhorada de forma significativa quando nos tornamos professores, e deixamos de ser apenas alunos.

Esta dinâmica está sub-explorada actualmente e acho que tem potencial para se tornar muito útil, particularmente para a aprendizagem com finalidades de desenvolvimento, e não tanto para a aquisição de conhecimentos básicos. No entanto, como acontece com qualquer abordagem colaborativa, existem os problemas inerentes à não contribuição, ao controlo editorial, etc. Mesmo assim, estes problemas podem ser resolvidos. Espero uma maior utilização das abordagens de tipo wiki no futuro, embora provavelmente com uma estrutura de aprendizagem incluída nas templates wiki, de modo a facilidar a sua gestão e a validar o processo e os resultados de aprendizagem.

Como acha que será a aprendizagem dentro de cinco anos?

Em parte, isso depende da forma como aprendemos actualmente. As empresas e os indivíduos que estão actualmente muito orientados para as abordagens de aprendizagem formais e tradicionais, nos próximos cinco anos irão passar por alterações lentas, mas crescentes. As pressões crescentes sobre as empresas irão forçar-nos a alterar os pressupostos sobre a forma, o local e o espaço temporal em que aprendemos. Teremos que aprender online e provavelmente por intermédio de equipamentos móveis para nos mantermos actualizados e concorrenciais.

Passará a utilizar-se a e-avaliação para orientarmos o tempo de aprendizagem, bem como para certificar a conclusão dessa aprendizagem com sucesso. A maior parte do tempo de aprendizagem será acompanhado e reportado, de modo a permitir o acesso a aprendizagem mais relevante para cada caso. Muito disto já está disponível actualmente, mas irá tornar-se omnipresente em muitas organizações, especialmente nas de maior dimensão.

Quem (indivíduos e empresas) já está a aprender online e principalmente de forma informal, ou através das suas próprias pesquisas na Internet ou numa rede pessoal, irá passar por alterações ainda mais significativas. A aprendizagem em qualquer local irá tornar-se um requisito chave, através de qualquer equipamento conectado. Muita da aprendizagem será disponibilizada de forma informal, mas através de mecanismos formais, para facilitar a sua localização, o acesso e disponibilização por intermédio de vários meios, dependendo do contexto. Muito disto terá a ver com o acesso a pessoas, e não apenas com o acesso a conteúdos. O enfoque residirá nas necessidades e no contexto específicos de cada caso, bem como na integração com outros mecanismos de aprendizagem para adicionar maior profundidade ou contexto quando necessário.

Um maior volume de aprendizagem será colaborativo, em vez de individual, tanto em termos síncronos como assíncronos. As empresas precisarão de disponibilizar um ambiente de aprendizagem holístico, orientado para a disponibilização dos serviços referidos atrás, e não tanto para a disponibilização de conteúdos de aprendizagem genéricos.

Os programas de aprendizagem formais continuarão a existir, mas passarão a representar uma percentagem mais pequena do tempo de aprendizagem reconhecido. Os programas irão misturar processos de aprendizagem, utilizando o eLearning e a aprendizagem cara a cara para maximixar o valor e o impacto, bem como para maximizar a flexibilidade.

Existem outras novas áreas de aprendizagem para as quais esperamos uma maior adopção. Já falei dos wikise das ferramentas colaborativas. Mas também se espera uma maior utilização dos jogos e das simulações complexas, bem como dos agentes de aprendizagem inteligentes para agregar e personalizar a aprendizagem. Se isto vai acontecer nos próximos cinco anos, é algo a que responderia sim, pelo menos em parte. Mas muitas das implicações generalizadas só se irão sentir para além dessa data.

Em resumo, muita da tecnologia já existe actualmente, embora não esteja bem conectada nem seja tão omnipresente. O desafio para muitas das grandes organizações será conseguirem assimilar tudo isto de forma suficientemente rápida para se manterem a par dos seus concorrentes mais ágeis. Isto é especialmente difícil numa fase global, e quando é necessário migrar a infra-estrutura de TI empresarial. Mas também se chegará cada vez mais à conclusão que a não aprendizagem desta forma é algo que a maioria das organizações não conseguirá suportar, tanto em termos de custo, como de tempo.

Baseado numa entrevista intitulada "The Future for E-Learning", publicada em http://elearnity.blogspot.com/2007/01/future-for-e-learning.html.

 

Voltar
 
 
 
 
     
 
 

Notícias

Chegaram os Equipamentos de Vídeo Internet

O iPhone da Apple Alterou a Aposta, Mas Não Alterou o Jogo

Estado do Hardware e das Infra-estruturas de TI nas PMEs Europeias em 2007

A Sinfic Vai Estar Presente na Segurex 2007 de 14 a 17 de Março na FIL

 

Eventos/Formação

Evento: Planeamento e Orçamentação - 8 de Março de 2007 - Inscrições Limitadas

Evento: Implementação de Projectos de eLearning - 15 de Março de 2007 - Inscrições Limitadas

Formação: Usabilidade - Aplicação do Standard ISO 9241 - 12 de Março de 2007

Formação: BS ISO/IEC 27001:2005 - Auditor Coordenador - 12 a 16 de Março de 2007

Formação: Hands-on Testes de Usabilidade - 21 de Março de 2007

Formação: Escrever Correctamente Para a Web - 29 de Março de 2007

Formação: Fundamentos de Rational Requisite Pro - 30 de Março de 2007

 
 
 

 

 
 
Editor: Leonel Miranda mail: newsletter@sinfic.pt
Sinfic, S.A. Estrada da Ponte, 2 - Quinta Grande, Alfragide, 2610-141 Amadora
Tel. (+351) 210 103 900 Fax. (+351) 210 103 999 • www.sinfic.pt A SINFIC é uma empresa certificada pela APCER. Leia mais em www.sinfic.pthttp://www.sinfic.pt/