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Esta semana: eLearning  
Newsletter n.º 110  23 Abril 2007  
 
 

As Vantagens das Questões na Aprendizagem

Há uma piada frequente entre os estudantes relativa à importância de estudar. "Porquê estudar? Quanto mais se estuda, mais se sabe. Quanto mais se sabe, mais se esquece. Quanto mais se esquece, menos se sabe. Então para quê estudar?". Talvez exista um fundo de verdade nesta piada.

 

De forma mais realista, pode definir-se a capacidade de retenção de uma pessoa através de uma equação simples:

Retenção = Aprendizagem - Esquecimento

Normalmente focamo-nos na curva de aprendizagem, mas podemos beneficiar da limitação da curva descendente do esquecimento. Se simplesmente reduzirmos o esquecimento, aumentamos a retenção. Will Thalheimer é um dos poucos especialistas em capacidade de recordação em situações de rotina. É responsável por inúmeros estudos publicados, e coligiu a essência desta pesquisa numa série de artigos e apresentações. Seguidamente vamos focar alguns dos aspectos chave do trabalho de Thalheimer:

  • 1. Recordação em situações de rotina
  • 2. Estímulo da pesquisa e recordação através de questões
  • 3. As vantagens das questões na aprendizagem

1. Recordação em situações de rotina

A nossa capacidade de recordar conhecimento no momento adequado baseia-se em inúmeros factores. Um dos factores chave é o estímulo utilizado para desencadear na nossa memória o processo de pesquisa e recordação. Quanto mais próximo estiver o estímulo em situação de aprendizagem do estímulo em situação de rotina, maior a possibilidade de o formando se recordar do que aprendeu. As questões actuam como estímulos. Quanto mais próxima uma questão estiver de simular uma situação de rotina, maior a probabilidade desta ser recordada.

Disponibilizar o estímulo ideal é, por vezes,dispendioso. No entanto, uma alternativa razoável e próxima da situação ideal pode produzir os efeitos de aprendizagem necessários. Vamos, por exemplo, considerar uma situação relativa a um operador de suporte a clientes. Os aspectos mais relevantes relacionados com o desempenho deste operador estão relacionados com a informação áudio que obtém através do telefone, e com a informação visual que obtém no ecrã do computador.

Consequentemente, estes são os estímulos mais importantes que devem ser praticados durante a aprendizagem. Assim, quando se treinam estas práticas e se mede o desempenho resultante da aprendizagem, é importante que sejam aplicados estímulos provenientes do telefone e do computador. Como tal, as questões de escolha múltipla não serão certamente uma situação que permita simular o ambiente de trabalho. Se não estiver disponível áudio, pode utilizar-se como um substituto razoável um sistema de questões baseadas em texto, que permitam representar uma chamada de voz. A colocação de questões somente sobre funções e funcionalidades não permite medir a capacidade de uma pessoa para o desempenho da função.

Há inúmeros estímulos que permitem melhorar a capacidade de recordar em situações de rotina. Por exemplo, se é expectável que uma pessoa venha a desempenhar as suas funções num ambiente fabril barulhento, o ideal é que receba formação nesse mesmo ambiente. Se os pilotos precisam de voar em missões de combate, o ideal é praticar em simuladores de ambiente de combate. Se é suposto trabalhar num ambiente de stress, é apropriado aprender nesse mesmo ambiente.

2. Estimular a pesquisa e recordação através de questões

Sabe-se há centenas de anos que a repetição auxilia a aprendizagem. Mas a repetição constante pode ser um factor de dissuasão e pouco estimulante. Sabe-se há centenas de anos que a repetição auxilia a aprendizagem. Mas a repetição constante pode ser um factor de dissuasão e pouco estimulante. Sabe-se há centenas de anos que a repetição auxilia a aprendizagem. Mas a repetição constante pode ser um factor de dissuasão e pouco estimulante. Sabe-se há centenas de anos que a repetição auxilia a aprendizagem. Mas a repetição constante pode ser um factor de dissuasão e pouco estimulante.

Entendeu onde queremos chegar!

Mas vamos agora colocar uma questão: demasiada repetição no contexto da aprendizagem pode ser:

  • 1. Bom para o espírito
  • 2. Mau para o espírito
  • 3. Dissuasor
  • 4. Estimulante

E aqui está mais uma: quer que os seus formandos se lembrem do que lhes está a ensinar. O que deve fazer:

  • 1. Evitar repetir os materiais de aprendizagem
  • 2. Repetir imediatamente os materiais de aprendizagem exactamente da mesma forma
  • 3. Repetir imediatamente os materiais de aprendizagem, mas refraseando-os
  • 4. Repetir os materiais de aprendizagem exactamente da mesma forma, mas após uma pausa.

Esperamos que estes exemplos sejam mais estimulantes que os do primeiro parágrafo!

As questões fornecem estímulos de aplicação de pesquisa e recordação, e ambos nos ajudam a recordar em situações de rotina. Tal como a experiência nos ajuda a dominar as nossas capacidades, a experiência de pesquisa e recordação ajuda-nos a recordar.

Os melhores resultados obtêm-se com a aplicação de questionários num ambiente próximo do contexto real de acção. Questionar fornece um estímulo para a prática de pesquisa e recordação. O estímulo - que pode ser uma voz, um texto, uma questão de escolha múltipla, ou uma simulação - é a questão em si. Quanto mais realista for o estímulo, melhor, porque simula o contexto de aplicação de pesquisa e recordação que vai ser aplicado num ambiente real.

O meio em que decorrer a aprendizagem é um factor menos óbvio de impacto na aprendizagem. Se alguém trabalha num ambiente ruidoso, escuro e húmido, muito provavelmente deveria aprender num ambiente ruidoso, escuro e húmido, especialmente se é esperado que aplique pesquisa e recordação na função que desempenha.

Quanto melhor for o estímulo, melhor a experiência de pesquisa e recordação e, consequentemente, melhor a aprendizagem. No entanto, por vezes os custos elevados levam-nos a situações de compromisso. Por exemplo, se os formadores colocam os formandos em aviões militares reais, torna-se extremamente dispendioso e arriscado utilizar milhões de dólares em equipamento para ensinar alguém a voar. Mas, colocar o mesmo formando em frente a um computador, com questões de escolha múltipla, não fornece seguramente uma experiência de aprendizagem adequada. No entanto, se os testes utilizarem gráficos ou vídeos no computador, então o estímulo melhora significativamente.

Outro exemplo menos dramático pode ser o seguinte: num centro de atendimento a clientes, se os formadores utilizarem gravações áudio de clientes, e seguidamente pedirem aos formandos que respondam às questões simuladas do cliente, aumentam seguramente o estímulo e propiciam melhor experiência de aprendizagem do que se utilizarem questionários triviais.

a) Medição através de avaliações

Tal como obtemos melhores resultados de pesquisa e recordação se aproximarmos o ambiente de aprendizagem do ambiente de trabalho, a mesma regra se aplica em relação à medição. Assim, quanto mais próximo o ambiente de medição estiver do ambiente de trabalho, melhor vai ser a medição realizada de conhecimentos e competências. É por isso que os exames de condução são realizados a conduzir um veículo. Este princípio pode ser expresso através do seguinte diagrama:

Factores que influenciam o que as pessoas aprendem

É evidente que existe um conjunto de factores que influencia o que as pessoas aprendem em diferentes contextos. A atenção das pessoas vagueia. Em apresentações virtuais podem estar a ler o seu correio electrónico, ou à conversa com alguém no escritório. Estão distraídas. Numa sala de aula, os alunos podem estar a olhar pela janela ou a pensar noutros assuntos.

A maioria das pessoas não absorve tudo. Ouvem, mas não entendem o que ouviram. Por vezes, os conceitos são demasiado complexos para serem assimilados logo de início. É preciso que oiçam a mesma informação umas quantas vezes para que a absorvam.

Mesmo que um formando absorva toda a informação, há uma grande probabilidade de esquecer algo. No fim, só nos lembramos daquilo que conseguimos recordar. Os alunos podem esquecer porque os estímulos ou as pistas fornecidas pelo meio não estão presentes, ou porque passou demasiado tempo desde que aprenderam algo. Por exemplo, poucas pessoas utilizam equações matemáticas, e como tal a maioria dos adultos já se esqueceram de como as resolver. Mas os estudantes universitários ainda as sabem.

Existem também algumas situações em que os formandos sentem que aprenderam algo, mas de facto eles interpretaram incorrectamente a informação e desenvolveram conceitos errados.

Há muitos factores que influenciam o quanto aprendemos e o quanto conseguimos recordar, nomeadamente o ambiente de aprendizagem, a forma como os materiais são apresentados, como é ensinado esse material, entre outros. No entanto, as avaliações têm um papel muito importante no processo de aprendizagem. Os testes de diagnóstico podem levar-nos a experiências de aprendizagem adequadas. Os testes formativos podem ajudar-nos a melhorar a aprendizagem, dirigindo a atenção, criando interesse, fornecendo mecanismos de pesquisa e recordação, e corrigindo interpretações erradas.

Por exemplo, as questões levantadas antes, ou no início de um evento formativo podem despertar a atenção. E colocar questões durante o evento formativo leva a que os formandos concentrem a sua atenção, desligando-se dos factores de distracção, e tenham de pesquisar e recordar para poderem responder. As questões obrigam os alunos a estarem atentos, porque os obrigam a responder.

Mas, e se não absorvermos tudo? ("Quanto mais estudamos...") Se é verdade que a repetição ajuda à aprendizagem, se só repetirmos coisas, a formação torna-se aborrecida. Colocar questões constitui uma outra forma de repetição, que não se torna tão aborrecida, porque força os formandos a pensarem sobre o problema.

Estas técnicas também ajudam a moderar o esquecimento. A repetição constante reforça nova informação para os formandos, e o feedback testa a compreensão e permite corrigir interpretações erradas. De qualquer modo, somos frequentemente demasiado optimistas acerca da nossa capacidade de recordar informação. Colocando questões ao longo do tempo, podemos reduzir a curva de esquecimento, e exercitar continuamente pesquisa e recordação, melhorando o processo de aprendizagem. Se alguém nos pedisse semanalmente para resolver uma equação matemática, desde que deixámos a escola, teríamos boas probabilidades de ainda sermos capazes de a resolver, o que seria importante se voltássemos à escola, ou se tivéssemos de aplicar esses conceitos no nosso posto de trabalho.

Finalmente, convém lembrar que aprendizagem tem tudo a ver com o contexto. Garantir a prática de recordar no contexto de trabalho ajuda os formandos a ligarem o meio em que se inserem com a forma de recordar a informação necessária quando dela necessitam.

3. As vantagens das questões na capacidade de recordar

O trabalho de pesquisa de Will Thalheimer demonstra claramente as vantagens da aplicação de questões no processo de aprendizagem, tal como se pode observar na tabela seguinte:


(Clique na imagem para a visualizar em tamanho maior)

Baseado num texto com o título "Assessments through the Learning Process, publicado pela Questionmark no site http://www.questionmark.co.uk/ catalog/uk/resources/ Assessments%20Through%20the%20Learning%20ProcessA4.pdf. Adaptado por Pedro Miguel Geraldes, responsável pela unidade estratégica de negócio e-Learning da Sinfic.

 

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Nota: Para aceder a mais informação relacionada com este tema, consulte também as newsletters número 3, 23, 36, 51, 81 e 102.

 
 
 

 

 
 
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