|
De forma mais
realista, pode definir-se a capacidade
de retenção de uma pessoa através
de uma equação simples:
Retenção
= Aprendizagem - Esquecimento
Normalmente focamo-nos
na curva de aprendizagem, mas podemos
beneficiar da limitação da curva descendente
do esquecimento. Se simplesmente reduzirmos
o esquecimento, aumentamos a retenção.
Will Thalheimer é um dos poucos especialistas
em capacidade de recordação em situações
de rotina. É responsável por inúmeros
estudos publicados, e coligiu a essência
desta pesquisa numa série de artigos
e apresentações. Seguidamente vamos
focar alguns dos aspectos chave do
trabalho de Thalheimer:
- 1. Recordação
em situações de rotina
- 2. Estímulo
da pesquisa e recordação através
de questões
- 3. As vantagens
das questões na aprendizagem
1. Recordação
em situações de rotina
A nossa capacidade
de recordar conhecimento no momento
adequado baseia-se em inúmeros factores.
Um dos factores chave é o estímulo
utilizado para desencadear na nossa
memória o processo de pesquisa e recordação.
Quanto mais próximo estiver o estímulo
em situação de aprendizagem do estímulo
em situação de rotina, maior a possibilidade
de o formando se recordar do que aprendeu.
As questões actuam como estímulos.
Quanto mais próxima uma questão estiver
de simular uma situação de rotina,
maior a probabilidade desta ser recordada.
Disponibilizar
o estímulo ideal é, por vezes,dispendioso.
No entanto, uma alternativa razoável
e próxima da situação ideal pode produzir
os efeitos de aprendizagem necessários.
Vamos, por exemplo, considerar uma
situação relativa a um operador de
suporte a clientes. Os aspectos mais
relevantes relacionados com o desempenho
deste operador estão relacionados
com a informação áudio que obtém através
do telefone, e com a informação visual
que obtém no ecrã do computador.
Consequentemente,
estes são os estímulos mais importantes
que devem ser praticados durante a
aprendizagem. Assim, quando se treinam
estas práticas e se mede o desempenho
resultante da aprendizagem, é importante
que sejam aplicados estímulos provenientes
do telefone e do computador. Como
tal, as questões de escolha múltipla
não serão certamente uma situação
que permita simular o ambiente de
trabalho. Se não estiver disponível
áudio, pode utilizar-se como um substituto
razoável um sistema de questões baseadas
em texto, que permitam representar
uma chamada de voz. A colocação de
questões somente sobre funções e funcionalidades
não permite medir a capacidade de
uma pessoa para o desempenho da função.
Há inúmeros estímulos
que permitem melhorar a capacidade
de recordar em situações de rotina.
Por exemplo, se é expectável que uma
pessoa venha a desempenhar as suas
funções num ambiente fabril barulhento,
o ideal é que receba formação nesse
mesmo ambiente. Se os pilotos precisam
de voar em missões de combate, o ideal
é praticar em simuladores de ambiente
de combate. Se é suposto trabalhar
num ambiente de stress, é apropriado
aprender nesse mesmo ambiente.
2. Estimular a
pesquisa e recordação através de questões
Sabe-se há centenas
de anos que a repetição auxilia a
aprendizagem. Mas a repetição constante
pode ser um factor de dissuasão e
pouco estimulante. Sabe-se há centenas
de anos que a repetição auxilia a
aprendizagem. Mas a repetição constante
pode ser um factor de dissuasão e
pouco estimulante. Sabe-se há centenas
de anos que a repetição auxilia a
aprendizagem. Mas a repetição constante
pode ser um factor de dissuasão e
pouco estimulante. Sabe-se há centenas
de anos que a repetição auxilia a
aprendizagem. Mas a repetição constante
pode ser um factor de dissuasão e
pouco estimulante.
Entendeu onde
queremos chegar!
Mas vamos agora
colocar uma questão: demasiada repetição
no contexto da aprendizagem pode ser:
- 1. Bom para
o espírito
- 2. Mau para
o espírito
- 3. Dissuasor
- 4. Estimulante
E aqui está mais
uma: quer que os seus formandos se
lembrem do que lhes está a ensinar.
O que deve fazer:
- 1. Evitar repetir
os materiais de aprendizagem
- 2. Repetir
imediatamente os materiais de aprendizagem
exactamente da mesma forma
- 3. Repetir
imediatamente os materiais de aprendizagem,
mas refraseando-os
- 4. Repetir
os materiais de aprendizagem exactamente
da mesma forma, mas após uma pausa.
Esperamos que
estes exemplos sejam mais estimulantes
que os do primeiro parágrafo!
As questões fornecem
estímulos de aplicação de pesquisa
e recordação, e ambos nos ajudam a
recordar em situações de rotina. Tal
como a experiência nos ajuda a dominar
as nossas capacidades, a experiência
de pesquisa e recordação ajuda-nos
a recordar.
Os melhores resultados
obtêm-se com a aplicação de questionários
num ambiente próximo do contexto real
de acção. Questionar fornece um estímulo
para a prática de pesquisa e recordação.
O estímulo - que pode ser uma voz,
um texto, uma questão de escolha múltipla,
ou uma simulação - é a questão em
si. Quanto mais realista for o estímulo,
melhor, porque simula o contexto de
aplicação de pesquisa e recordação
que vai ser aplicado num ambiente
real.
O meio em que
decorrer a aprendizagem é um factor
menos óbvio de impacto na aprendizagem.
Se alguém trabalha num ambiente ruidoso,
escuro e húmido, muito provavelmente
deveria aprender num ambiente ruidoso,
escuro e húmido, especialmente se
é esperado que aplique pesquisa e
recordação na função que desempenha.
Quanto melhor
for o estímulo, melhor a experiência
de pesquisa e recordação e, consequentemente,
melhor a aprendizagem. No entanto,
por vezes os custos elevados levam-nos
a situações de compromisso. Por exemplo,
se os formadores colocam os formandos
em aviões militares reais, torna-se
extremamente dispendioso e arriscado
utilizar milhões de dólares em equipamento
para ensinar alguém a voar. Mas, colocar
o mesmo formando em frente a um computador,
com questões de escolha múltipla,
não fornece seguramente uma experiência
de aprendizagem adequada. No entanto,
se os testes utilizarem gráficos ou
vídeos no computador, então o estímulo
melhora significativamente.
Outro exemplo
menos dramático pode ser o seguinte:
num centro de atendimento a clientes,
se os formadores utilizarem gravações
áudio de clientes, e seguidamente
pedirem aos formandos que respondam
às questões simuladas do cliente,
aumentam seguramente o estímulo e
propiciam melhor experiência de aprendizagem
do que se utilizarem questionários
triviais.
a) Medição
através de avaliações
Tal como obtemos
melhores resultados de pesquisa e
recordação se aproximarmos o ambiente
de aprendizagem do ambiente de trabalho,
a mesma regra se aplica em relação
à medição. Assim, quanto mais próximo
o ambiente de medição estiver do ambiente
de trabalho, melhor vai ser a medição
realizada de conhecimentos e competências.
É por isso que os exames de condução
são realizados a conduzir um veículo.
Este princípio pode ser expresso através
do seguinte diagrama:
Factores
que influenciam o que as pessoas aprendem
É evidente que
existe um conjunto de factores que
influencia o que as pessoas aprendem
em diferentes contextos. A atenção
das pessoas vagueia. Em apresentações
virtuais podem estar a ler o seu correio
electrónico, ou à conversa com alguém
no escritório. Estão distraídas. Numa
sala de aula, os alunos podem estar
a olhar pela janela ou a pensar noutros
assuntos.
A maioria das
pessoas não absorve tudo. Ouvem, mas
não entendem o que ouviram. Por vezes,
os conceitos são demasiado complexos
para serem assimilados logo de início.
É preciso que oiçam a mesma informação
umas quantas vezes para que a absorvam.
Mesmo que um formando
absorva toda a informação, há uma
grande probabilidade de esquecer algo.
No fim, só nos lembramos daquilo que
conseguimos recordar. Os alunos podem
esquecer porque os estímulos ou as
pistas fornecidas pelo meio não estão
presentes, ou porque passou demasiado
tempo desde que aprenderam algo. Por
exemplo, poucas pessoas utilizam equações
matemáticas, e como tal a maioria
dos adultos já se esqueceram de como
as resolver. Mas os estudantes universitários
ainda as sabem.
Existem também
algumas situações em que os formandos
sentem que aprenderam algo, mas de
facto eles interpretaram incorrectamente
a informação e desenvolveram conceitos
errados.
Há muitos factores
que influenciam o quanto aprendemos
e o quanto conseguimos recordar, nomeadamente
o ambiente de aprendizagem, a forma
como os materiais são apresentados,
como é ensinado esse material, entre
outros. No entanto, as avaliações
têm um papel muito importante no processo
de aprendizagem. Os testes de diagnóstico
podem levar-nos a experiências de
aprendizagem adequadas. Os testes
formativos podem ajudar-nos a melhorar
a aprendizagem, dirigindo a atenção,
criando interesse, fornecendo mecanismos
de pesquisa e recordação, e corrigindo
interpretações erradas.
Por exemplo, as
questões levantadas antes, ou no início
de um evento formativo podem despertar
a atenção. E colocar questões durante
o evento formativo leva a que os formandos
concentrem a sua atenção, desligando-se
dos factores de distracção, e tenham
de pesquisar e recordar para poderem
responder. As questões obrigam os
alunos a estarem atentos, porque os
obrigam a responder.
Mas, e se não
absorvermos tudo? ("Quanto mais estudamos...")
Se é verdade que a repetição ajuda
à aprendizagem, se só repetirmos coisas,
a formação torna-se aborrecida. Colocar
questões constitui uma outra forma
de repetição, que não se torna tão
aborrecida, porque força os formandos
a pensarem sobre o problema.
Estas técnicas
também ajudam a moderar o esquecimento.
A repetição constante reforça nova
informação para os formandos, e o
feedback testa a compreensão e permite
corrigir interpretações erradas. De
qualquer modo, somos frequentemente
demasiado optimistas acerca da nossa
capacidade de recordar informação.
Colocando questões ao longo do tempo,
podemos reduzir a curva de esquecimento,
e exercitar continuamente pesquisa
e recordação, melhorando o processo
de aprendizagem. Se alguém nos pedisse
semanalmente para resolver uma equação
matemática, desde que deixámos a escola,
teríamos boas probabilidades de ainda
sermos capazes de a resolver, o que
seria importante se voltássemos à
escola, ou se tivéssemos de aplicar
esses conceitos no nosso posto de
trabalho.
Finalmente, convém
lembrar que aprendizagem tem tudo
a ver com o contexto. Garantir a prática
de recordar no contexto de trabalho
ajuda os formandos a ligarem o meio
em que se inserem com a forma de recordar
a informação necessária quando dela
necessitam.
3. As vantagens
das questões na capacidade de recordar
O trabalho de
pesquisa de Will Thalheimer demonstra
claramente as vantagens da aplicação
de questões no processo de aprendizagem,
tal como se pode observar na tabela
seguinte:

(Clique na imagem para a visualizar
em tamanho maior)
Baseado num texto com o título
"Assessments through the Learning
Process, publicado pela Questionmark
no site http://www.questionmark.co.uk/
catalog/uk/resources/ Assessments%20Through%20the%20Learning%20ProcessA4.pdf.
Adaptado por Pedro Miguel Geraldes,
responsável pela unidade estratégica
de negócio e-Learning da Sinfic.
|