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Os defensores
das metodologias ágeis gostam de argumentar
que o problema com o CMMI reside no
facto de assumir que o desenvolvimento
de software envolve processos explícitos.
Ou seja, processos sobre os quais
quase tudo é conhecido. No entanto,
isso raramente se verifica, como poderá
afirmar qualquer programador ágil
que alguma vez tenha trabalhado num
projecto de desenvolvimento, de qualquer
dimensão.
Existe no CMMI
a ideia fundamental de que os processos
podem ser repetíveis, e que são processos
previsíveis - basicamente, não são
processos empíricos. Segundo Michael
Spayd, da Cogility Consulting Solutions,
este é um erro fundamental do CMMI,
e está na base da razão porque o mesmo
não acredita nos níveis quatro e cinco.
Spayd afirma mesmo que esses dois
níveis são "ridículos e não acrescentam
valor".
Este especialista
transitou há vários anos da avaliação
de processos CMM para a programação
ágil, começando com a XP. Actualmente,
afirma que quer ajudar as organizações
de TI (tecnologias de informação)
ágeis a trabalharem dentro dos limites
impostos pelo CMM, CMMI e metodologias
similares. Recorde-se que o CMM esteve
na base do CMMI.
Spayd é de opinião
que os dois paradigmas (metodologias
ágeis e CMMI) não são tão inconciliáveis
como os partidários de ambas as partes
poderão acreditar. Isto, apesar de
ser certamente verdade que, em termos
culturais, o CMMI vive mais facilmente
numa cultura de controlo, em que a
ideia é minimizar o risco através
da enfatização de resultados previsíveis
e repetíveis.
Ao mesmo tempo,
Spayd sublinha a opinião de Mark Paulk,
um dos autores do CMMI, para quem
os dois paradigmas são, de facto,
compatíveis. A chave para isso está
em considerar o CMMI como uma framework
de gestão que descreve boas práticas
testadas na realidade, mas que não
prescreve uma metodologia específica
de desenvolvimento de software.
É verdade que
muitas organizações seguem um caminho
orientado a processos para implementarem
o CMMI. No entanto, não tem que ser
dessa forma. Spayd é de opinião que
o CMMI não exige uma abordagem em
cascata, nem uma abordagem de tipo
framework, nem documentação intensiva.
Culturalmente, existe uma preponderância
dessas práticas, mas não existe qualquer
razão para não se utilizarem práticas
ágeis para alcançar os mesmos resultados.
Hillel Glazer,
um especialista em avaliações CMMI
SCAMPI e avaliações ISO, concorda
com este ponto de vista, sublinhando
que são muito poucas as pessoas do
mundo do software que fazem a distinção
entre um método ou processo de gestão
e um método ou processo de desenvolvimento.
Uma vez feita esta distinção, a separação
entre a XP e o CMMI torn-se muito
mais clara.
Glazer, tal como
Spayd, acredita que o CMMI e as disciplinas
de programação ágil, como a XP, são
complementares, e não inconciliáveis.
Mas será que existe sobreposição?
Sim, mas isso deve-se sobretudo ao
facto da XP incluir elementos de gestão
e de desenvolvimento. Quando a XP
se aventura nos métodos de gestão,
não é incompatível com o CMMI. Não
é assim tão invulgar conseguir a certificação
CMMI utilizando práticas ágeis, mas
isso depende muito da orientação da
pessoa que faz a avaliação.
Baseado num
artigo com o título "Agile Programming
and the CMMI: Irreconcilable Differences?",
da autoria de Stephen Swoyer, publicado
no site http://www.adtmag.com/.
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