| Passo
1. Uma visão geral da empresa
quanto à sua situação
actual
As organizações devem
começar por avaliar a sua situação
actual, tendo em mente o objectivo
final. É necessário
desenvolver uma perspectiva clara
e envolver a equipa de recursos humanos,
os executivos de nível C, os
líderes e os gestores da unidade
de negócio. Há que responder
a questões chave sobre o estado
corrente da organização,
cultura e estado desejado. As questões
podem incluir:
a) Análise, confirmação
e/ou clarificação das
declarações da empresa:
- Declaração de Missão:
porque existe a empresa.
- Valores empresariais: crenças
e comportamento da empresa.
- Visão: o que a empresa
quer ser.
- Estratégia: plano competitivo
que inclui os objectivos de negócio,
onde concorrer e vantagem competitiva.
- Balanced Scorecard: como é
que a empresa executa e monitoriza
o plano.
b) Como é que as declarações
e os objectivos da empresa se ajustam
às unidades de negócio,
divisões, segmentos de mercado
e departamentos?
c) Quais as funções/trabalhos
da organização e competências
que são necessárias
para suportar as declarações
da empresa, desempenho e inovação?
d) Quais os critérios que
a organização pode utilizar
para medir o desempenho e para identificar
os funcionários com elevado
desempenho e com desempenho abaixo
do esperado?
Seguidamente, é necessário
olhar com maior atenção
para o estado desejado e definir aquilo
que a organização quer
ser – em termos de liderança,
capacidades, estrutura. Isto define
o estado desejado para o desempenho,
posição competitiva
e lucratividade. Depois identifique
os pontos menos bons. Regresse ao
estado corrente e olhe com maior atenção
para qualquer componente de gestão
de talento que já exista. Proceda
ao inventário daquilo que existe
e realize uma análise sobre
a forma como cada um está a
trabalhar. Se existir um sistema de
gestão de aprendizagem (ou
learning management system –
LMS), por exemplo, será que
é suficientemente flexível
lidar com os conteúdos dos
clientes (uma das tendências
da aprendizagem com crescimento mais
rápido)?
Em termos de planeamento das recompensas,
os aumentos de mérito e outras
recompensas estão ligados ao
desempenho, ou será que os
gestores gastam demasiado tempo a
agregar folhas de cálculo para
determinarem quem recebe um determinado
bónus? Documente as prioridades
de gestão de talento da sua
empresa com base nos objectivos da
mesma, nos requisitos de talento relacionados,
e na análise de processos e
sistemas de gestão de talento
existentes.
Passo 2. Competências
dos empregados: caminho para o futuro
Com base na informação
do passo anterior, podem-se definir
as competências desejadas pela
organização. Considere
a identificação das
competências específicas
desejadas nestas três categorias:
- Competências de base –
qualidades e comportamentos desejados
para todos os empregados. Por exemplo,
responsabilidade, gestão
de conflitos, flexibilidade, resolução
de problemas, fiabilidade, comunicação,
etc.
- Competências de liderança
– qualidades e comportamentos
desejados para os supervisores,
gestores e executivos. Estes atributos
e responsabilidades podem incluir
empreendedorismo, gestão
de pessoas, parcerias, visão,
liderança situacional, pensamento
estratégico.
- Competências específicas
da função –
capacidades, conhecimentos e comportamentos.
Uma vez definidas as competências,
há que associá-las a
funções específicas
e cargos laborais. Seguidamente, estabeleça
os níveis de capacidade necessários
para cada competência. Utilizando
esta informação, crie
um perfil claro de competências
para cada função. O
estado desejado de desempenho estabelecido
no passo anterior torna-se o destino
da organização. Depois
de identificados os objectivos específicos
de desempenho e de posicionamento,
bem como as competências para
os atingir, o passo seguinte será
ver onde está actualmente a
organização.
Passo 3. Análise de gap –
como é que se chega ao que
se pretende a partir do que se é
agora
Para se chegar ao que se pretende,
há que esclarecer primeiro
muito bem aquilo que se pretende.
Por essa razão, o passo seguinte
consiste em realizar um inventário
completo das competências e
efectuar uma análise de gap.
O enfoque deverá centrar-se
em torno das áreas de competência
que são mais críticas
para a organização,
de acordo com o definido no passo
dois.
Este exercício, além
de recolher informação
vital sobre o estado corrente da empresa,
fornece uma base que poderá
ser utilizada para avaliar e medir
o progresso à medida que a
iniciativa de gestão de talento
vai avançando. O objectivo
da condução desta análise
é fornecer aos recursos humanos,
executivos e gestores informação
sobre as capacidades dos empregados.
As organizações poderão
assim identificar os candidatos qualificados
para projectos especiais ou novas
tarefas.
Por outro lado, esta análise
fornece aos empregados um meio para
a gestão das suas carreiras,
dado que podem ver prontamente onde
estão e onde precisarão
de estar em termos de planeamento
de carreiras. Este nível de
visibilidade é crítico
para a retenção de empregados.
Adicionalmente ao inventário
das capacidades, será útil
atribuir a cada competência
uma classificação em
termos de conhecimento ou de talento
(por exemplo, inicial, intermédio)
e um nível de experiência
(por exemplo, um a três anos,
quatro a seis anos).
A organização poderá
descobrir que existe um gap, por exemplo,
entre o processo de desempenho e o
desenvolvimento, ou que o processo
actual de desenvolvimento não
fornece a visibilidade que a gestão
precisa para avaliar – e melhorar
– a sua situação.
Esta informação será
de grande valor quando a organização
passa da estratégia para a
escolha e implementação
de sistemas.
Passo 4. Definição
da linha temporal da gestão
de talento anual
O ponto de partida e o destino são
agora claros. As competências
que ligam os dois estão definidos
claramente e o sistema de registo
da gestão de talentos já
foi definido. O passo seguinte consiste
em clarificar o próprio caminho
– quais os veículos especiais
a utilizar, quais os marcos a ter
em conta e onde e como “recarregar
baterias”. Deve-se começar
pela definição de uma
linha temporal para o ano. Esta linha
temporal difere de organização
para organização, dependendo
de factores como a existência
de uma análise de desempenho
por ano ou várias, ou ainda
da altura em que são atribuídos
bónus.
Para uma gestão óptima
de talentos, a aprendizagem e a avaliação
deve ter lugar continuamente ao longo
do ano. Os empregados também
devem ser encorajados a lembrados
automaticamente para manterem o seu
perfil de talento actualizado. O aumento
do nível de envolvimento dos
empregados faz com que os processos
de gestão de talento também
melhorem os níveis de retenção.
Os resultados positivos adicionais
incluem o alinhamento dos objectivos
da empresa com os dos empregados e
a melhoria dos resultados de negócio.
Passo 5. Choque cultural –
gerir a mudança para garantir
a adesão
A implementação de
um processo formal de gestão
de talento pode representar uma grande
mudança cultural para a organização.
Os empregados podem resistir muito
à nova visibilidade do seu
desempenho e à ligação
directa entre esse desempenho e a
evolução de carreira
e recompensas. Um bom processo de
gestão de talento trabalhará
muito para “vender” a
ideia aos empregados e aos gestores.
Por exemplo, ao realizar a avaliação
continuamente ao longo do ano (e não
apenas uma vez por ano) os empregados
passarão a ver os gestores
mais como mentores que efectuam verificações
regulares, que modificam os objectivos,
e que lhe atribuem actividades de
aprendizagem relevantes. Isto desempenhará
um grande papel na transformação
da percepção, transformando
uma atitude crítica em crítica
construtiva. Isto também fará
muito para garantir a adesão
por parte dos gestores e dos empregados.
No entanto, antes de ser do sistema
de gestão de talento entrar
em funcionamento, os stakeholders
negativos poderão tentar afectar
a rapidez, o sucesso e o valor da
iniciativa. Para evitar isto, pode-se
utilizar esta fase do desenvolvimento
da estratégia para utilizar
experiências de comunicação
e de aprendizagem que possam facilitar
o choque cultural e criar um ambiente
favorável para que os empregados
adiram ao novo sistema.
Baseado num document da Plateau
com o título “Talent
Management - A Competency-based Approach
to Developing Smart Strategies and
Systems”.
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