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Esta semana: Turismo  
Newsletter n.º 24   18 Julho 2005  
 
 

Lisboa e o Turismo de Negócio

De acordo com a classificação divulgada pela International Congress & Convention Association (ICCA), Lisboa foi em 2004 o oitavo destino de congressos a nível mundial e o sexto da Europa (ver quadro). No entanto, baixou do quinto lugar alcançado em 2003, apesar de ter captado mais quatro reuniões em 2004. Dois destinos pelos quais Lisboa foi ultrapassada nos últimos anos são Singapura e Hong Kong, o que confirma, também neste segmento, a tendência de crescimento dos destinos asiáticos, tendência aliás que se prevê venha a caracterizar o futuro da actividade turística mundial.



Lisboa constitui hoje um dos principais destinos turísticos nacionais, representando cerca de 20 por cento do total de dormidas em estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos e apartamentos turísticos. Como é do conhecimento geral, a actividade turística, fruto do 11 de Setembro e do clima de insegurança generalizada que se lhe seguiu, conheceu uma desaceleração do seu crescimento no início do Séc. XXI.

Depois do ano de 2002 ter dado mostras de alguma recuperação (aumento ligeiro das chegadas de turistas internacionais de 2,8 por cento), o ano de 2003 caracterizou-se por uma nova quebra da actividade turística, desta feita resultante da difícil conjuntura económica internacional e do conflito do Iraque.

Número de reuniões por cidade
Fonte: ICCA Data, 2005

Rank
Cidade
2004
1
Barcelona
105
2
Viena
101
3
Singapura
99
4
Berlim
90
5
Hong Kong
86
6
Copenhaga
76
7
Paris
75
8
Lisboa
67
9
Estocolmo
64
10
Budapeste
64

Segundo dados recentes da OMT, o ano de 2004 traduziu a recuperação do sector, com um crescimento das chegadas de turistas na ordem dos 10 por cento. A evolução da procura turística de Lisboa reflectiu, ainda que parcialmente, esta conjuntura adversa, registando em 2003 ligeiras quebras do número de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos e apartamentos turísticos e das taxas de ocupação face ao ano anterior.

Todavia, os dados provisórios do INE relativos às dormidas no ano de 2004 indiciam uma dinâmica de recuperação, com um crescimento de cerca de nove por cento na região NUT II de Lisboa. Trata-se de uma evolução bastante acima do crescimento observado no total do país (+ 0,7 por cento).

Na última década assistimos ao desenvolvimento do turismo de negócios enquanto segmento de mercado relevante e de alto valor acrescentado. A globalização do mercado, a expansão dos negócios e a sua dispersão em termos geográficos, induziram o crescimento desta forma de turismo, que se assumiu como o segmento de maior crescimento nos últimos anos, representando uma oportunidade para todos os agentes do sector, tanto os operadores turísticos e a hotelaria, como o sector da aviação comercial.

O mercado internacional deste tipo de eventos tem aumentado sustentadamente nos últimos anos, surgindo como solução para a atenuação da sazonalidade da actividade turística em alguns mercados. De facto, embora a motivação férias continue a ser a predominante, a OMT refere que se regista uma importante tendência de crescimento da motivação negócios, que se prevê venha a manter-se no futuro próximo.

Segundo o World Tourism & Travel Council, os gastos com turismo de negócios em 2004 ascenderam a cerca de 595 mil milhões de dólares, estimando-se que venham a atingir os 895 mil milhões de dólares dentro de 10 anos.

Em Lisboa observou-se uma rápida e assinalável expansão deste segmento, muito por força da estratégia definida pelo Turismo de Lisboa - iniciada com a Capital Europeia da Cultura em 1994, baseada nos segmentos de City Breaks e Turismo de Negócios, e complementada por outros produtos turísticos (como o golfe, o sol, o mar e o turismo religioso).

Complementarmente, o esforço de criação de infra-estruturas modernas e adequadas para este tipo de eventos (estabelecimentos hoteleiros de qualidade, Feira Internacional, pavilhão multiusos, renovação do Centro de Congressos, Centro Cultural de Belém, etc.), contribuiu muito para que Lisboa fosse internacionalmente reconhecida como relevante destino MICE.

Segundo um estudo da Associação do Turismo de Lisboa (ATL), a procura deste segmento era, em 2004, proveniente maioritariamente da Europa (França, Reino Unido, Espanha, Alemanha e Itália), tendo sido valorizados, em especial, aspectos como a qualidade do alojamento e os preços do transporte. Ainda de acordo com o mesmo estudo, predominavam os congressistas do sexo feminino (57 por cento), sendo que em termos de habilitações literárias, cerca de 70 por cento dispunha de pós-graduação, mestrado ou doutoramento.

Dos resultados do mesmo inquérito realizado pela ATL, resulta também que a quase totalidade dos congressistas utilizou a via aérea para chegar a Lisboa, privilegiando o alojamento em hotéis (de 5, 4 e 3 estrelas). Convém referir que cerca de 95,2 por cento dos inquiridos recomendaram Lisboa como cidade de congressos, o que atesta a boa imagem do destino.

A oferta/procura deste segmento é, assim, determinada por um conjunto de factores críticos, como sejam a existência de oferta de alojamento hoteleiro de qualidade e de empresas competitivas ao longo da cadeia de valor, a proximidade do aeroporto ao local dos congressos e a acessibilidade, quer interna quer através de voos regulares, a coordenação dos sectores público e privado na candidatura e organização do evento e a própria imagem global do destino.

De acordo com a classificação divulgada pela International Congress & Convention Association (ICCA), Lisboa foi em 2004 o oitavo destino de congressos a nível mundial e o sexto da Europa, como mostra o quadro. É inequívoco que Lisboa possui inúmeras valências do ponto de vista turístico (o clima agradável durante todo o ano, a riqueza histórica e patrimonial aliada a uma imagem de modernidade, uma oferta hoteleira de qualidade, complementada por uma variedade de produtos turísticos - como o golfe, as praias ou as reservas naturais).

Por outro lado, a existência de ligações aéreas regulares para os grandes mercados emissores de turistas constitui um factor crítico neste segmento, tendo permitido igualmente que Lisboa se consolidasse como destino de City Breaks. Paralelamente, o investimento realizado, quer pelo sector privado, quer pelo sector público, na construção e reabilitação de equipamentos para congressos e conferências constitui um importante ponto forte da oferta de Lisboa neste domínio.

Acresce que a especificidade deste segmento exige um constante esforço de adaptação da oferta no sentido, não só da existência de infra-estruturas específicas, como do desenvolvimento de uma vertente de lazer complementar à viagem de negócios (restaurantes, animação e actividade cultural, só para dar alguns exemplos), matéria que tem conhecido francos desenvolvimentos em Lisboa. Por fim, o constante esforço na captação de eventos (e aqui de realçar o papel fundamental do Turismo de Lisboa) tem sido decisivo para a excelente performance de Lisboa.

Artigo publicado no site da Direcção Geral de Turismo com o título "A Performance de Lisboa no Turismo de Negócios".

 

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