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Lisboa constitui
hoje um dos principais destinos turísticos
nacionais, representando cerca de
20 por cento do total de dormidas
em estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos
e apartamentos turísticos. Como é
do conhecimento geral, a actividade
turística, fruto do 11 de Setembro
e do clima de insegurança generalizada
que se lhe seguiu, conheceu uma desaceleração
do seu crescimento no início do Séc.
XXI.
Depois do ano
de 2002 ter dado mostras de alguma
recuperação (aumento ligeiro das chegadas
de turistas internacionais de 2,8
por cento), o ano de 2003 caracterizou-se
por uma nova quebra da actividade
turística, desta feita resultante
da difícil conjuntura económica internacional
e do conflito do Iraque.
Número
de reuniões por cidade
Fonte: ICCA Data, 2005
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Rank
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Cidade
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2004
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1
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Barcelona
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105
|
|
2
|
Viena
|
101
|
|
3
|
Singapura
|
99
|
|
4
|
Berlim
|
90
|
|
5
|
Hong Kong
|
86
|
|
6
|
Copenhaga
|
76
|
|
7
|
Paris
|
75
|
|
8
|
Lisboa
|
67
|
|
9
|
Estocolmo
|
64
|
|
10
|
Budapeste
|
64
|
Segundo dados recentes
da OMT, o ano de 2004 traduziu a recuperação
do sector, com um crescimento das
chegadas de turistas na ordem dos
10 por cento. A evolução da procura
turística de Lisboa reflectiu, ainda
que parcialmente, esta conjuntura
adversa, registando em 2003 ligeiras
quebras do número de dormidas nos
estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos
e apartamentos turísticos e das taxas
de ocupação face ao ano anterior.
Todavia, os dados provisórios
do INE relativos às dormidas no ano
de 2004 indiciam uma dinâmica de recuperação,
com um crescimento de cerca de nove
por cento na região NUT II de Lisboa.
Trata-se de uma evolução bastante
acima do crescimento observado no
total do país (+ 0,7 por cento).
Na última década assistimos
ao desenvolvimento do turismo de negócios
enquanto segmento de mercado relevante
e de alto valor acrescentado. A globalização
do mercado, a expansão dos negócios
e a sua dispersão em termos geográficos,
induziram o crescimento desta forma
de turismo, que se assumiu como o
segmento de maior crescimento nos
últimos anos, representando uma oportunidade
para todos os agentes do sector, tanto
os operadores turísticos e a hotelaria,
como o sector da aviação comercial.
O mercado internacional
deste tipo de eventos tem aumentado
sustentadamente nos últimos anos,
surgindo como solução para a atenuação
da sazonalidade da actividade turística
em alguns mercados. De facto, embora
a motivação férias continue a ser
a predominante, a OMT refere que se
regista uma importante tendência de
crescimento da motivação negócios,
que se prevê venha a manter-se no
futuro próximo.
Segundo o World Tourism
& Travel Council, os gastos com turismo
de negócios em 2004 ascenderam a cerca
de 595 mil milhões de dólares, estimando-se
que venham a atingir os 895 mil milhões
de dólares dentro de 10 anos.
Em Lisboa observou-se
uma rápida e assinalável expansão
deste segmento, muito por força da
estratégia definida pelo Turismo de
Lisboa - iniciada com a Capital Europeia
da Cultura em 1994, baseada nos segmentos
de City Breaks e Turismo de Negócios,
e complementada por outros produtos
turísticos (como o golfe, o sol, o
mar e o turismo religioso).
Complementarmente,
o esforço de criação de infra-estruturas
modernas e adequadas para este tipo
de eventos (estabelecimentos hoteleiros
de qualidade, Feira Internacional,
pavilhão multiusos, renovação do Centro
de Congressos, Centro Cultural de
Belém, etc.), contribuiu muito para
que Lisboa fosse internacionalmente
reconhecida como relevante destino
MICE.
Segundo um estudo da
Associação do Turismo de Lisboa (ATL),
a procura deste segmento era, em 2004,
proveniente maioritariamente da Europa
(França, Reino Unido, Espanha, Alemanha
e Itália), tendo sido valorizados,
em especial, aspectos como a qualidade
do alojamento e os preços do transporte.
Ainda de acordo com o mesmo estudo,
predominavam os congressistas do sexo
feminino (57 por cento), sendo que
em termos de habilitações literárias,
cerca de 70 por cento dispunha de
pós-graduação, mestrado ou doutoramento.
Dos resultados do mesmo
inquérito realizado pela ATL, resulta
também que a quase totalidade dos
congressistas utilizou a via aérea
para chegar a Lisboa, privilegiando
o alojamento em hotéis (de 5, 4 e
3 estrelas). Convém referir que cerca
de 95,2 por cento dos inquiridos recomendaram
Lisboa como cidade de congressos,
o que atesta a boa imagem do destino.
A oferta/procura deste
segmento é, assim, determinada por
um conjunto de factores críticos,
como sejam a existência de oferta
de alojamento hoteleiro de qualidade
e de empresas competitivas ao longo
da cadeia de valor, a proximidade
do aeroporto ao local dos congressos
e a acessibilidade, quer interna quer
através de voos regulares, a coordenação
dos sectores público e privado na
candidatura e organização do evento
e a própria imagem global do destino.
De acordo com a classificação
divulgada pela International Congress
& Convention Association (ICCA), Lisboa
foi em 2004 o oitavo destino de congressos
a nível mundial e o sexto da Europa,
como mostra o quadro. É inequívoco
que Lisboa possui inúmeras valências
do ponto de vista turístico (o clima
agradável durante todo o ano, a riqueza
histórica e patrimonial aliada a uma
imagem de modernidade, uma oferta
hoteleira de qualidade, complementada
por uma variedade de produtos turísticos
- como o golfe, as praias ou as reservas
naturais).
Por outro lado, a existência
de ligações aéreas regulares para
os grandes mercados emissores de turistas
constitui um factor crítico neste
segmento, tendo permitido igualmente
que Lisboa se consolidasse como destino
de City Breaks. Paralelamente, o investimento
realizado, quer pelo sector privado,
quer pelo sector público, na construção
e reabilitação de equipamentos para
congressos e conferências constitui
um importante ponto forte da oferta
de Lisboa neste domínio.
Acresce que a especificidade
deste segmento exige um constante
esforço de adaptação da oferta no
sentido, não só da existência de infra-estruturas
específicas, como do desenvolvimento
de uma vertente de lazer complementar
à viagem de negócios (restaurantes,
animação e actividade cultural, só
para dar alguns exemplos), matéria
que tem conhecido francos desenvolvimentos
em Lisboa. Por fim, o constante esforço
na captação de eventos (e aqui de
realçar o papel fundamental do Turismo
de Lisboa) tem sido decisivo para
a excelente performance de Lisboa.
Artigo publicado
no site da Direcção Geral de Turismo
com o título "A Performance de Lisboa
no Turismo de Negócios".
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