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Fernando
Costa Pinto*
Não é o meio que
faz a diferença, mas sim a forma como
o formador e o instructional designer
utilizam o meio e as funcionalidades
disponíveis para a entrega de conhecimento.
Muitas organizações estão a passar
as suas salas de aula para salas de
aulas virtuais, como peça central
da sua estratégia de blended learning,
de forma a diminuir custos e reduzir
a ineficácia associada às salas de
aula tradicionais. Mas como qualquer
tecnologia, as ferramentas de sala
de aula virtual são somente tão boas
como a forma com que forem utilizadas.
Funcionalidades
das salas de aula virtuais
São várias as
funcionalidades de uma sala de aula
virtual. Referimos de seguida alguns
exemplos mais correntes.
- Controlo de
intervenções. Determina quem está
no momento com a "palavra". Quem
estiver com o controlo da sessão,
está a dirigir-se a todo o grupo,
através de vídeo ou áudio, podendo
complementar a sua comunicação com
apresentações criadas previamente
(como PowerPoints, por exemplo).
O processo de controlo é bastante
simples: quem pretende interagir
na sessão pede a palavra. Ao aparecer
no ecrã do moderador esta indicação,
este decide se deve e quando deve
disponibilizar o controlo da sessão.
Existe também a possibilidade de
fazer sessões estilo "discussão
aberta", em que os intervenientes
podem comunicar sempre que pretenderem.
- Pedido de intervenção.
Os moderadores podem ver a lista
dos intervenientes na sessão. Um
participante pode pedir a palavra,
sendo depois da responsabilidade
do moderador cedê-la ou não.
- Chat. O chat
é uma ferramenta de comunicação
em formato de texto. Esta funcionalidade
permite aos intervenientes da sessão
trocarem comentários com todos os
participantes da sessão. Os intervenientes
podem enviar mensagens privadas
ao moderador e este pode enviar
mensagens privadas aos participantes.
- PowerPoint.
Estas ferramentas permitem adaptar
automaticamente apresentações feitas
em PowerPoint para serem disponibilizadas.
Desta forma, pode-se continuar a
trabalhar em ferramentas que já
se dominam e que são largamente
utilizadas, apresentando depois
esse trabalho.
- Partilha de
aplicações. É permitida a partilha
de uma ou mais aplicações ou de
todo o ambiente de trabalho. Assim,
o moderador da sessão pode transmitir
os seus propósitos aos intervenientes
de uma forma altamente interactiva.
A partilha de aplicações permite
ao moderador escolher uma aplicação
que esteja a ser utilizada por outro
interveniente, sem dar a este o
"controlo de intervenções".
- Quadro branco
(ou whiteboard). Com o quadro branco
partilhado, os participantes podem
acrescentar conteúdo à sessão. Desta
forma, todos podem acrescentar objectos
ou texto ao "esquema" que estão
a presenciar. Os objectos ou texto
podem ser copiados de qualquer aplicação
Windows para o whiteboard.
- Controlo de
acompanhamento. O moderador pode
colocar questões aos restantes participantes,
de modo a obter feedback imediato
sobre o decorrer da sessão.
- Videoconferência.
Utilização de vídeo (em directo
ou pré-gravado) e de áudio para
a realização de videoconferências.
Desta forma, existe uma maior personalização
da sessão, pois todos os participantes
estão em contacto visual e directo
com o orador. De referir a importância
de ter uma largura de banda razoável
para obtenção de um bom desempenho.
- Audioconferência.
Permite ao moderador dirigir-se
a todos os intervenientes da sessão
através da voz. Desta forma, as
sessões tornam-se mais ricas, não
havendo problemas significativos
quanto à largura de banda exigida.
O moderador pode ter conversações,
em duas vias, com quem estiver com
o "controlo de intervenções".
- Gravação de
sessões. As sessões podem ser gravadas
pelo moderador ou por qualquer dos
participantes na sessão. Todas as
acções da sessão podem ser gravadas:
chat, feedback, assim como o conteúdo
mostrado durante a sessão. Esta
funcionalidade permite a revisão
das sessões guardadas, através do
servidor, ou através do download
da sessão.
- Perguntas e
respostas. Esta funcionalidade permite
ao moderador colocar questões a
todos os intervenientes. As respostas
são normalmente do tipo verdadeiro/falso
ou de múltipla escolha. Os resultados
podem ser tornados públicos ou serem
analisados em privado.
Salas de
aula tradicionais ou salas de aula
virtuais?
Foram já feitos
centenas de estudos para estudar realmente
a diferença entre estes dois tipos
de salas. A maioria das comparações
das pesquisas efectuadas não mostraram
grandes diferenças em termos de vantagens
ou desvantagens no uso de um ou outro
método. Foram feitos estudos de comparação
que concluem que, quando a mesma lição
é disponibilizada nos dois meios,
não se nota nenhuma diferença real
na aprendizagem.
Isto quer dizer
que não sãos os meios que deterioram
a aprendizagem, mas sim a forma como
os meios são usados. O segredo reside
na utilização bem sucedida do meio
de entrega, electrónico ou tradicional,
que deve explorar as características
desse meio de forma a conduzir à aprendizagem.
Podemos então definir vários passos
orientadores para uma utilização bem
sucedida:
Passo 1 -
Definir
No passo um começamos
por definir os objectivos e as necessidades
do negócio, assim como os conhecimentos
dos formandos, participantes ou colaboradores.
Devemos planificar a formação e os
métodos que consideramos instrutivos
e que serão necessários para conseguir
os objectivos. Por exemplo, se estivermos
interessados em melhorar o conhecimento
em algum software, devemos fazer demonstrações
da sua utilização, seguidas pela prática
(hands-on). Consequentemente, teremos
de dispor de um meio eficaz para a
entrega das demonstrações e da parte
prática. Uma forma simples será uma
sala de aula virtual.
Passo 2 -
Visualizar
O e-learning,
nas suas duas formas, síncrona ou
assíncrona, exige a visualização do
conteúdo. As salas de aulas virtuais
dão primazia à parte onde são disponibilizados
os conteúdos, ficando sempre uma pequena
parte do ecrã ocupada com as ferramentas
da própria plataforma. Normalmente,
existe uma barra à esquerda onde o
participante pode interagir com o
orador, sendo o resto do ecrã para
ferramentas de apresentação, como
slides de PowerPoint, white board,
ou partilha de ecrã e aplicações.
Neste passo deveremos seleccionar
e projectar os vários tipos de conteúdos
que melhor promovem a aprendizagem.
Uma vez seleccionados, usamos os vários
recursos comunicacionais existentes
neste tipo de sala de aula para explicar
os conteúdos.
Passo 3
- Acoplar
Os formadores
experientes sabem que a interacção
significativa e frequente do formando
é o principal trajecto para a aprendizagem.
Quando desenhamos e desenvolvemos
e-learning assíncrono com qualidade
sabemos a importância das interacções
frequentes e efectivas. Felizmente,
as salas de aula virtuais oferecem
formas de participação em abundância.
A prática tem mais benefícios quando
é distribuída ao longo da lição, em
vez de estar concentrada no início
ou no fim. Para ter a atenção do participante,
as interacções devem ser muito frequentes.
Serão obviamente mais importantes
os tipos de interacções mais relacionados
com a actividade de participante do
que aquelas mais triviais. Os vários
tipos e formas de questões devem ser
também alterados com alguma frequência.
Este tipo de ferramentas oferecem
normalmente um leque variado de formas
de questões para colocar ao formando,
permitindo assim uma maior envolvência.
Passo 4
- Entrega
Deve ser previamente
entregue aos formandos informação
acerca da sala de aula, das suas funcionalidades
e dos conteúdos que serão "discutidos"
na sessão. Reforçar a mensagem de
boas vindas apresentando os conteúdos
e os participantes é uma forma de
começar bem uma sessão. Para melhor
sabermos como estar e apresentar conteúdos
na nossa sala de aula virtual, podemos
participar em vários seminários online.
Muitos deles são gratuitos e poderão
ser uma poderosa ajuda na retenção
de técnicas utilizadas. Pensar nas
experiências mais ricas da formação
tradicional e usá-las neste tipo de
formação será uma vantagem.
Em suma, utilizando
este tipo de ferramentas com lógica
e com conteúdos ricos, faz com que
não existam desvantagens na qualidade
da formação baseada em sala de aula
virtual em relação à formação tradicional.
Antes pelo contrário, a formação baseada
em sala de aula virtual tem a seu
favor todas as vantagens económicas
características de qualquer tipo de
troca de informação via Internet.
É patente que o uso destas ferramentas
advém de economias de tempo e de dinheiro.
De facto, eliminando a premissa de
que todos os intervenientes da uma
reunião necessitam de estar no mesmo
local, elimina-se o tempo gasto em
deslocações e as verbas para viagens
e estadias.
A instalação e
o manuseamento destas ferramentas
é bastante simples, não necessitando
normalmente de qualquer configuração
adicional nos computadores ou servidor
da empresa. Além disso, permitem simular
na perfeição o ambiente de uma reunião.
Através da videoconferência ou da
audioconferência, todos os participantes
podem expressar as suas ideias e trabalhar
sobre documentos em conjunto
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Fernando Costa Pinto é consultor na
unidade estratégica de negócios e-Learning
da Sinfic.
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