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Esta semana: Métricas & Indicadores  
Newsletter n.º 50  30 Janeiro 2006  
 
 

Métricas e Indicadores:
Orientação aos Processos
e aos Objectivos


Quando se fala em métricas e indicadores, a maior parte das pessoas tem uma ideia do que se trata. A dificuldade está em relacioná-los (de forma adequada) com a realidade das próprias empresas. A prática tem mostrado que uma boa abordagem consiste em identificar, em primeiro lugar, quais são os principais processos e depois associá-los a objectivos. Seguidamente, será necessário tentar perceber do que dependem (factores críticos de sucesso que asseguram os objectivos através da execução dos processos).



José Maurício, gestor
de projectos
e de clientes,
e especialista
em engenharia organizacional,
de negócio
e de SI/TI na Sinfic
 

Também será necessário identificar os potenciais eventos de risco associados à execução dos processos. Ou seja, identificar as situações que, no caso de ocorrerem, irão reduzir a eficácia do processo, comprometendo o próprio processo e os objectivos associados. Por último, há que identificar métricas e indicadores que possam dizer-nos se estamos no bom caminho, se estamos a afastar-nos do objectivo, se estamos a comprometer o objectivo através da falha de factores críticos de sucesso (condições que asseguram o objectivo), ou até que ponto o risco é aceitável face ao valor que o objectivo pode trazer para a organização.

Da teoria à prática

O que acabámos de referir é a teoria. Na prática, as receitas são mais complexas - não existe uma receita para todos. A realidade das empresas é diferente de caso para caso. Além disso, a forma como os gestores interpretam a realidade e a sistematizam através de processos também é distinta.

Na prática, o importante é pegar em pequenas amostras da actividade das organizações, identificar o processo mais crítico (por exemplo, a relação com o cliente) e analisar a forma como é executado (tendo em vista a sua melhoria). As empresas que fazem isto melhor são as que têm maior vantagem competitiva. Neste caso concreto, fazer melhor é identificar o processo (quais são os inputs e outputs do processo) e o que concorre para a execução do mesmo (recursos, técnicas, práticas, etc.).

Feita esta identificação, há que identificar o objectivo de negócio (por um lado) e o objectivo de desempenho do processos (por outro). Se conseguirmos isto de forma adequada, ficaremos com uma boa caracterização do processo. Depois há que associar métricas e indicadores. Por exemplo, se considerarmos o processo de satisfação do cliente, podemos definir como objectivo de negócio a obtenção de zero reclamações. Evidentemente, para sabermos se o objectivo é alcançado ou não, vai ser necessário medir as reclamações (adoptar um sistema que efectue a contagem de ocorrências que indiquem insatisfação por parte do cliente).

Paralelamente, também é necessário medir e criar indicadores de desempenho do próprio processo. Inserem-se aqui os objectivos de desempenho do processo. Este aspecto é difícil de implementar, sobretudo quando os processos são considerados como menos importantes.

Muitas vezes, os processos menos críticos para as organizações podem mesmo correr o risco de serem marginalizados pelas pessoas, podendo estas ter dificuldade em perceber o papel desse processo na organização. No entanto, isto não significa que seja um processo sem importância. Frequentemente os processos críticos dependem (directa ou indirectamente) dos processos ditos secundários, e o impacto de um mau processo secundário poderá traduzir-se num mau processo crítico.

Só quando este trabalho é bem feito (identificar processos, definir os seus objectivos e as suas métricas) é que se pode passar para a fase seguinte: melhoria contínua. A melhoria contínua já tem como objectivo a optimização constante ao longo do tempo.

O problema da medição

A definição de métricas e de indicadores de processos é sempre algo complicado e que pode gerar alguns problemas a nível dos recursos humanos. Quando se medem desempenhos de processos também se estão a medir desempenhos de pessoas. Só que as pessoas tendem a não gostar muito de ser medidas e avaliadas.

Segundo José Maurício, gestor de projectos e de clientes, e especialista em engenharia organizacional, de negócio e de SI/TI na Sinfic, a iniciativa de desenvolver uma cultura organizacional orientada a objectivos terá que partir do topo para as bases. A gestão de topo terá que se empenhar na comunicação interna das vantagens dessa cultura. Até aqui, não costumam surgir problemas. As reais dificuldades começam quando se passa à implementação concreta das medidas que vão dar forma a essa cultura.

Costumam surgir receios relativamente à garantia do salário e do próprio emprego. Como se trata de um problema eminentemente cultural, não é fácil de resolver. Será necessário adoptar uma abordagem gradual. Contudo, por mais trabalho que este processo dê e por mais tempo que demore, as organizações terão que trabalhar no sentido de transformar as suas culturas internas.

Se não existir uma orientação para os objectivos, as pessoas tenderão a prender-se mais às tarefas que desempenham, perdendo de vista que essas tarefas contribuem para um determinado objectivo. Esta perda de referência traduz-se geralmente no mau desempenho das tarefas e, consequentemente, no não cumprimento dos objectivos.

É importante que as pessoas tenham uma percepção do todo, de modo a compreenderem que as suas tarefas, se forem convenientemente realizadas, contribuirão para o sucesso do todo. Pelo contrário, se forem mal realizadas, contribuirão para o fracasso. Mas isto só é possível quando existem processos bem definidos, com objectivos e métricas.

Quando esta mensagem for passada para as organizações, as próprias pessoas apercebem-se de que a culpa do fracasso até pode não ser delas, mas antes dos processos, que podem não estar bem desenhados. Dá-se então o ponto de viragem fundamental que, se tiver continuidade, conduzirá à reengenharia de processos e ao consequente esforço de melhoria contínua.

Isto quer dizer que o sucesso dos processos pode não depender de quem o executa, mas antes da forma como está desenhado. As melhorias a introduzir podem assim ter mais a ver com o próprio processo do que com as pessoas que o executam. Nesta perspectiva, a orientação aos objectivos acaba por ser uma defesa para quem trabalha na organização, uma vez que um processo bem definido contribuirá para o seu sucesso pessoal e para o sucesso da organização.

A resistência dos recursos humanos

Outra barreira a ter em conta é a resistência normal das pessoas a novas prática, novas formas de pensar e novas técnicas. Além desta resistência ser normal em qualquer ser humano, existem diferenças de acordo com a idade, por exemplo. Como nas organizações existe normalmente uma mistura de recursos humanos mais jovens e outros mais velhos, há que ter cuidado com a forma de comunicar a mudança a estes públicos distintos. É necessário adequar o discurso ao público alvo concreto.

Normalmente, os mais jovens estão mais predispostos à mudança, enquanto que os mais velhos tendem a defender as rotinas instituídas e a sentirem-se mais ameaçados com as mudanças. As técnicas de motivação terão, portanto, que ser diferentes. No entanto, a idade é apenas uma das variáveis a ter em conta. A escolaridade pode ser outra, por exemplo.

José Maurício, com base na sua experiência de consultor, também referiu que é mais fácil trabalhar nos processos de grandes organizações do que de pequenas empresas. Enquanto que nos processos das grandes empresas estão envolvidas normalmente várias pessoas (nenhuma é detentora do processo em que intervém), nas pequenas empresas, uma mesma pessoa pode ser o único interveniente em um ou mesmo vários processos.

Pior ainda, muitas vezes, foi essa pessoa que instituiu o processo. Consequentemente, quando se pretende melhorar/alterar o processo, a pessoa sente que é ela própria que está a ser colocada em causa, e não apenas o processo, o que origina resistências muito mais difíceis de ultrapassar.

As duas vertentes das métricas e indicadores na Sinfic

Nos serviços de consultoria prestados pela Sinfic, a preocupação com métricas e indicadores tem duas vertentes. Por um lado, a Sinfic presta serviços a clientes no sentido de implementarem processos e definirem objectivos que eles próprios possam monitorizar. Ou seja, são prestados serviços de reengenharia de processos.

Por outro lado, a Sinfic procura transmitir credibilidade aos seus clientes em todos os serviços que presta. Nesse sentido todos os projectos da Sinfic (sejam eles internos ou externos) obedecem a métricas e indicadores de processos. Cada projecto tem objectivos e processos para alcançar esses objectivos. Para garantir o cumprimento dos objectivos definidos, são definidas métricas e indicadores que permitam saber a qualquer momento se estamos a cumprir ou a afastarmo-nos dos objectivos. Neste segundo caso, são tomadas medidas correctivas.

Nos serviços prestados ao cliente, as equipas da Sinfic começam sempre com a chamada fase de diagnóstico. Nesta fase, os consultores olham para a organização cliente através dos óculos de um modelo de referência, procurando os desvios existentes face a esse modelo de referência.

Identificados esses desvios, são propostas iniciativas destinadas a corrigi-los e/ou a colmatar eventuais lacunas existentes. Nestas iniciativas incluem-se o desenho de processos (no caso de não existirem) e a rengenharia de processos (no caso de melhoria de processos existentes). As pessoas que estão envolvidas nos processos existentes também são tidas em conta para minorar e/ou eliminar eventuais resistências.

Sinfic Métricas 3

Os serviços prestados pela Sinfic têm sempre uma orientação aos sistemas de informação (normalmente com alguma componente de desenvolvimento de software), pelo que a empresa procurou adoptar um modelo de referência que melhor se adaptasse a esta realidade. Da pesquisa no mercado internacional, foi escolhido um modelo, designado por SM3 (Sinfic Métricas 3). Este modelo de referência tem como base o modelo que é utilizado em Espanha pela administração pública e pelas forças armadas para servir de referência a todos os seus fornecedores.

De igual modo, a Sinfic foi beber a outros modelos de referência internacionais, como o CMMI (Capability Maturity Model Integration) do Software Engineering Institute (SEI) e o SPICE (Software Process Improvement and Capability dEtermination), actual norma ISO 15504.

Como conclusão, convém referir que o trabalho dos processos nas organizações nunca pode ser dado como terminado. Em primeiro lugar, existe sempre espaço para a melhoria, pelo que se fala muito de melhoria constante nesta área de actividade. Por outro lado, mesmo que admitamos o absurdo de que foi atingida a perfeição dos processos num dado momento, as alterações constantes do mercado obrigam a ajustes e reajustes constantes para garantir o sucesso continuado ao longo do tempo.

Também há que ter em conta a visão do todo como determinante da visão das partes. Se uma organização definir objectivos sectoriais contraditórios (que se anulam), o resultado final não será vantajoso. É necessário garantir que os contributos dos vários objectivos dão origem a uma soma positiva, capaz de fornecer valor acrescentado à organização. A ideia é que os objectivos sigam a estrutura da árvore de Natal ou de uma pirâmide. No topo está o objectivo fundamental da organização (o objectivo estrela). A contribuir para esse objectivo fundamental existem depois outros objectivos divididos por várias camadas.

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