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Esta semana: e-Learning - Instructional Design  
Newsletter n.º 51  06 Fevereiro 2006  
 
 

O Segredo do Instructional Design

Instructional design é a arte das 1001 maneiras de construir processos de aprendizagem significativos e dinâmicos que representem ganhos concretos para o próprio e para os outros. Não existe uma maneira universal e correcta de fazer um percurso de aprendizagem ou um conteúdo. Mas existem milhões de propostas totalmente desastrosas que custam milhares de euros e envolvem todos os intervenientes em múltiplos problemas. Neste pequeno documento, tentaremos apresentar algumas preocupações que devem ficar subjacentes ao desenho de processos de aprendizagem.


 

O que é o instructional design?

Um "breve passeio" pela wikipédia em inglês permite-nos identificar instructional design (ID), ou instructional systems design, como o desenho pedagógico ou desenho da aprendizagem: o acto de análise das condições e necessidades de aprendizagem dos indivíduos e o desenvolvimento sistémico de percursos de aprendizagem ou de formação. O ID não é uma moda nem uma varinha de condão.

Existem diversos modelos (comportamentais, cognitivos, construtivistas) para o desenho dos processos de aprendizagem que têm sido desenvolvidos nos campos da pedagogia e da andragogia. Há perspectivas recentes e pós-modernistas fundamentadas no hipertexto e na teoria das múltiplas inteligências de Gardner que se assumem cada vez mais como um corpo de conhecimentos a ter em conta para revolucionar a aprendizagem.

No contexto da formação e da aprendizagem nas organizações, o ID destina-se a alinhar objectivos individuais e organizacionais, desenhando processos estruturados de desenvolvimento de valores, de atitudes, de conhecimentos (consciência) e de competências ou comportamentos. É um investimento estratégico no desenvolvimento do valor de uma organização que se pretenda inovadora e competitiva. Nas organizações aprendentes e empreendedoras, corresponde a um complexo conjunto de actos e estruturas que se centra na gestão e desenvolvimento do conhecimento. Por isso, é uma fonte de construção e acumulação de capital intelectual e humano.

No caso do e-learning, poderemos definir o ID como o processo de análise e desenvolvimento da aprendizagem/formação com meios digitais. O que para alguns pode parecer uma simples mudança nas concepções da formação presencial e tradicional é, afinal, uma enorme ruptura que se integra numa reconfiguração global da economia e das empresas. Mas não é uma mudança nas pessoas.

Mil e uma maneiras

Há 1001 maneiras de chegar ao mesmo resultado. O ID é um pouco de arte (criativa na construção de estímulos positivos), um pouco de engenho e muito de ciência. Um processo bem desenhado promove momentos e experiências de aprendizagem significativas, confortáveis e empoderadoras. A sua correcta aplicação garante melhorias nos resultados dos indivíduos e das organizações.

Devemos considerar diferentes perspectivas de desenvolvimento de percursos de ID consoante falemos de e-training, e-learning, e-teaching, ou outra qualquer abordagem digital que leve ao desenvolvimento do indivíduo. Qualquer uma destas abordagens difere das restantes nos resultados que pretende.

O e-training pretende o treino de competências operacionais e é usado há alguns anos em actividades como a simulação de ambientes de condução e pilotagem.

O e-learning, habitualmente confundido com "educação com meios digitais", ou "educação a distância com computadores", ou "ensino com computadores", pretende desenvolver aprendizagens (dirigidas) com meios digitais, focando-se, acima de tudo, nos processos e nos desenvolvimentos cognitivos e emocionais do indivíduo.

O e-teaching, confunde-se geralmente com e-learning. É qualquer coisa como a "formação com computadores" ou, para sermos mais puristas, o ensino através dos computadores, a distância, em sistema on-line ou diferido, isto é, um sistema de transmissão de conhecimentos que se acredita - com maior ou menor grau de probabilidade - que promove a aquisição de novos conhecimentos. Esta abordagem é centrada nos conteúdos e na sua transmissão.

O desenho de um percurso de aprendizagem, de formação ou de treino depende, acima de tudo, dos seus objectivos. No caso da formação em contexto organizacional, os objectivos devem ser coerentes com os da empresa e alinhados com os resultados pretendidos. A falta de alinhamento neste ponto e a falta de orientação estratégica da "gestão do conhecimento" nas organizações resulta normalmente em falhanços rotundos.

Se o objectivo é o de desenvolver competências práticas de manuseamento de instrumentos, será preferível uma perspectiva de e-training. No caso de se pretender o desenvolvimento de competências técnicas, deveremos escolher uma abordagem de e-teaching (ensino digitalizado). Quando pretendemos desenvolver um indivíduo até à máxima expressão do seu talento, devemos desenhar um percurso de aprendizagem interactiva com meios digitais (e-learning).

Erros comuns

O erro mais comum é o de não se conhecer devidamente os destinatários do processo ou de não os ter envolvido na construção do processo de aprendizagem. Por esse facto, definem-se objectivos inconsequentes. Não diagnosticar correctamente as necessidades, problemas, oposições e bloqueios de um contexto de aprendizagem, provoca habitualmente um duplo problema: a desmotivação perante a formação e a falta de competitividade estrutural da organização.

É comum iniciar-se o desenho da aprendizagem com base no que queremos transmitir, não considerando "o que eles querem e precisam de aprender para mudarem um comportamento". É por este motivo que, muitas vezes, a formação é uma seca! Não diz nada, não tem qualquer interesse. Se no ensino isto acontece em 90 por cento das situações, na formação, ocorre em cerca de um terço das acções.

Outro erro muito comum (transversal à formação presencial e a distância) é o de pretendermos mudar atitudes através da disponibilização de informação e de momentos de experimentação fora do contexto real de trabalho e com poucos momentos de experimentação. Com base nas actividades em ambiente não real (por exemplo, numa sala de formação, que pode ser em ambiente digital) e com baixas taxas de repetição, não se mudam comportamentos, nem atitudes. Apenas conseguimos sensibilizar ou consciencializar as pessoas. Mas isso não garante resultados.

Também é comum confundir-se ID com "desenho e desenvolvimento de conteúdos" de e-learning. Diversas pessoas consideram que um curso tem um bom desenho pedagógico quando os seus conteúdos são bonitos, simples, coerentes, transparentes e "usáveis". Mas isso é um engano. Nesse caso, devemos falar de um recurso de aprendizagem (que possui desenho de conteúdo, mas deve ser integrado no desenho da aprendizagem das situações em que for utilizado).

Um recurso, não é um curso. Um curso é uma estrutura de conteúdos e de sequências de experiências de aprendizagem (situações/emoções) que desenvolvem novas competências num indivíduo. Integra conteúdos. Um curso desenvolvido em torno de conteúdos básicos, mas com uma tutoria e interactividade relacional bem desenhadas, permite níveis de sucesso mais elevados do que um recurso de e-learning feito com todas as normas e padrões de usabilidade e interactividade, mas descontextualizado.

O ideal é uma conjugação das duas situações - conteúdos respeitadores da usabilidade e interactividade, que vão ao encontro das necessidades de formação dos formandos, integrados numa solução tecnológica que potencie o seu aproveitamento e o desenvolvimento de actividades/experiências por parte dos formandos.

Outro erro muito comum é o de se encerrar o processo de desenho pedagógico no final de um ciclo de desenvolvimento de conteúdos ou de uma acção de formação, sem se proceder à melhoria da primeira versão (do curso ou do recurso) através de uma lógica de melhoria contínua da qualidade. Este hábito, em paralelo com a não concretização de um sistema de avaliação da aprendizagem e dos resultados que permita aferir a qualidade das experiências realizadas, é responsável pela repetição de insucessos no e-learning e na formação presencial.

Actualmente, nota-se uma tendência para adquirir no estrangeiro cursos em diferentes línguas, com o fim de desenvolver competências em Portugal. Esta solução, oportuna e "poupadinha", traz consigo o risco de importação de modelos pedagógicos e de desenhos de aprendizagem que não se adequam plenamente aos nossos aprendizes e códigos de conduta comportamental.

Por essa via, esta opção pode acrescentar problemas na aprendizagem. Para que os conteúdos sejam bem apreendidos, criam-se tutorias amadoras que, de um modo geral, têm tendência para gerar elevadas taxas de abandono e desmotivação, sendo apontadas como uma das razões de fracasso dos processos de aprendizagem ou formação a distância.

O segredo do ID

A regra base de qualquer sistema de aprendizagem é a de respeitar e atender ao destinatário. Por isso, o segredo não está apenas no formador nem apenas nos conteúdos. Está no aprendiz e no contexto da aprendizagem, e na relação de interdependência entre estes quatro elementos: aprendiz, contexto de aprendizagem, formador e conteúdos.

Por isso, o bom desenho pedagógico é conseguido com os aprendentes, através deles, para eles, com eles e… connosco (entenda-se aqui, com os responsáveis pelo desenho e a construção do sistema de aprendizagem na organização). A este propósito, importa frisar que formação é algo que é desenhado para surtir um efeito, uma mudança de comportamento. Vai de fora para dentro. Tenta forçar. É contra-natura. Funciona quando aparenta o contrário.

Um bom desenho da aprendizagem verifica-se quando, decorrido o processo, os resultados atingidos correspondem aos pretendidos e definidos nos objectivos iniciais, coerentes com a estratégia de desenvolvimento da organização e a estratégia de gestão de conhecimento. Ou seja, só temos a noção concreta da qualidade do ID quando "termina o jogo". Prognósticos, só no fim! Aliás, em relação a este tema, é preciso ter presente a ideia de que o melhor desenho não existe. O melhor ID não garante o sucesso do e-learning. Mas diminui o grau de probabilidade de erro e de insucesso.

Fazer um bom ID é desenhar um contexto motivacional e envolvente muito favorável, de modo a que as experiências de aprendizagem vividas pelo aprendente sejam por si consideradas úteis e benéficas, gerando a aquisição de um novo conhecimento, de um talento, de uma atitude ou de uma competência. O ID deve ser capaz de aproveitar as motivações internas dos aprendentes, gerar motivos externos e ambientes favoráveis para a aprendizagem e, por vezes, criar ambiências coercivas que "empurrem os formandos" para a aprendizagem que queremos.

Mas basta que o aprendiz não queira ou não tenha o espaço de repetição e de expressão da nova aprendizagem no seu contexto de trabalho, para que esta se perca nas profundezas do inconsciente e não se criem resultados para a organização.

O mais interessante de toda esta temática é que o e-learning, servido com um bom sistema de aprendizagem no local de trabalho, pode ser simplesmente brilhante e, pasme-se, quase sem custos de tecnologia e de construção ou aquisição de conteúdos. Por seu lado, a aprendizagem (digitalizada ou não) acontece por vontade própria ou por sujeição a uma influência externa persuasiva e condicionadora.

Por este motivo, arrisco afirmar que o e-learning, quando explorado pela via do natural e intuitivo, garante melhores resultados do que a formação presencial. Principalmente se for construído em torno de experiências confortáveis e desafiantes, com recurso a objectos de aprendizagem construídos à medida, mas transferíveis, e na perspectiva de gerar significados (emocionais e racionais) nos agentes da aprendizagem, aqueles a quem chamamos "os formandos".

O segredo é só um: sirva-se aos aprendizes o que eles necessitam e querem aprender, de acordo com o que a nossa organização tem para oferecer e no devido alinhamento com os nossos objectivos. Esta é que é a grande questão do ID! Seja através de meios convencionais, como o livro e o quadro, ou através de computadores.

Álvaro Cidrais, consultor de e-learning.

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Notícias

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Eventos/Formação

Evento: Workshop Intelligent Document Capture - 15 de Fevereiro de 2006 - Inscrições Limitadas

Formação: GUI Erros: Conhecê-los e Evitá-los - 13 de Fevereiro de 2006

Formação: BS 15000 - Understanding & Auditing - 13 e 14 de Fevereiro de 2006

Formação: Captura Documental Inteligente - Fundamentos e Desenvolvimento com o Dispatcher - 13 e 14 de Fevereiro de 2006

Formação: Fundamentos de Rational Requisite Pro - 15 de Fevereiro de 2006

Formação: Gestão do Âmbito, Tempo e Custos em Projectos - 15 e 16 de Fevereiro de 2006

Formação: Introdução ao CMMI - 20 a 22 de Fevereiro de 2006

Formação: CSS - Introdução às Boas Práticas - 27 de Fevereiro de 2006

 
 
 

 

 
 
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