|
As práticas de informação razoáveis
serviram de pano de fundo às discussões
relativas à RFID e à privacidade.
Apesar de nem sempre ter existido
acordo sobre a forma como as aplicar,
fazem sempre parte do debate. Os princípios
reflectem o modelo de um colector
de dados centralizado e de um fornecedor
de dados consciente desse facto, num
constante diálogo sobre o "quê" e
o "porquê" dessa recolha. No entanto,
alguns desenvolvimento tecnológicos
recentes sugerem que está na altura
de reexaminar a forma como esses princípios
são implementados.
Em primeiro
lugar, há que ter em conta os avanços
contínuos que se têm verificado a
nível da recolha, transporte, armazenamento
e processamento da informação digital.
Tudo é agora mais eficiente e barato
do que quando começaram a emergir
os princípios durante a década de
1970. Os equipamentos inteligentes
também estão a tornar-se mais pequenos,
mais capazes e, devido à Internet,
mais interconectáveis.
Em segundo
lugar, tem-se assistido à explosão
das tecnologias baseadas em rádio,
como a RFID (que permite potencialmente
que qualquer objecto comunique), o
GPS (que permite a localização desses
objectos) e as redes de sensores (que
permitem capturar e difundir dados
sobre qualquer coisa, desde a integridade
estrutural de uma estrutura, até movimentos
num edifício, ou ainda a presença
de armas de destruição em massa).
Com base
no que foi dito atrás, podemos acrescentar
que estas tecnologias baseadas em
rádio nos permitem aliar o mundo físico
e o cibermundo. Mas também nos permitem
recolher dados sem o fornecimento
de qualquer indicação de que essa
recolha está a ter lugar. Além disso,
abrem novas oportunidades para a intercepção
não autorizada de informação.
Uma previsão
antevê que no ano 2015 estarão implementados
qualquer coisa como um trilião de
sensores. Como facilmente se compreende,
este não é o mundo dos colectores
de dados centralizados, que pedem
educadamente permissão aos fornecedores
de dados. Assemelha-se mais a um mundo
caótico, com biliões de colectores
de dados que podem estar sempre activos,
a recolher informação sem qualquer
controlo centralizado óbvio, ou sem
qualquer informação aparente sobre
as suas actividades de recolha de
informação.
Trata-se
de um mundo em que as redes não serão
isoladas, mas antes interconectadas.
Desta forma, os dados podem ser partilhados
entre múltiplas partes e potencialmente
reprocessados para múltiplos novos
propósitos. Irá tratar-se de um mundo
em que será mais difícil saber quem
está a recolher dados e quais os dados
que estão a ser recolhidos, quem tem
acesso aos mesmos, o que vai ser feito
com eles e quem deverá ser responsabilizado
pelas acções tomadas.
Esse mundo
ainda não existe. Mas demos começar
a pensar na forma como os princípios
de privacidade irão ser afectados
pela computação futura, genuinamente
omnipresente. Os países da OCDE (Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento
Económico), pelo seu peso internacional
e pelo seu papel no desenvolvimento
de práticas de informação razoáveis,
poderá ter um importante palavra a
dizer relativamente a este assunto.
Uma das
formas de aproveitar devidamente os
benefícios das tecnologias baseadas
em rádio não é evitá-las, mas antes
prevenir abusos. É antecipando o amanhã
que nos preparamos melhor para o futuro.
Baseado
num artigo de Elliot Maxwell, intitulado
"Radio-based technologies change the
way we gather, access and protect
data" e publicado no site do RFID
Journal (www.rfidjournal.com).
|