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O modelo contém
nove critérios que se interligam de
várias formas. Essencialmente, os
"resultados" (os critérios do lado
direito) são causados pelos "capacitadores"
(os critérios do lado esquerdo) -
ver figura 1. Os capacitadores representa
as actividades da organização: "aquilo
que fazemos" e "como o fazemos". Se
realizarmos estas actividades de forma
adequada, os resultados aparecerão.

Figura 1. O Six Sigma e o Modelo de
Excelência EFQM
são abordagens complementares.
(clique na imagem para a visualizar
em tamanho maior)
Os modelos Six
Sigma e EFQM são abordagens complementares.
Na realidade, dois dos primeiros vencedores
do prémio equivalente americano -
o Malcolm Baldrige National Quality
Award - foram a Motorola e a Allied
Signal, ambas proponentes da abordagem
Six Sigma. Eziste uma linha recta
que atravessa o modelo, desde a liderança,
passando pela especificação da política
e da estratégia, até ao alcance da
excelência nos resultados através
dos processos da organização.
O modelo Six Sigma
requer uma liderança muito determinada.
Esta tem que especificar a estrutura
para o sistema de gestão da organização.
Por sua vez, esse sistema deve ser
construído com base nos princípios
do Six Sigma e da gestão por factos.
Muitas organizações continuam a basear-se
no sexto sentido e em palpites.
A medição está
no centro do modelo de excelência
EFQM de várias formas. Também está
no centro do Six Sigma. Mas apesar
da medição ser extremamente importante,
normalmente é realizada de uma forma
muito pouco eficiente pelas organizações.
Se for realizada de forma adequada,
ajudará as organizações a compreenderem
o estado dos seus processos e as razões
porque os seus desempenhos não estão
ao nível daquilo que seria desejável.
A utilização de gráficos de controlo
de processos estatísticos (ver figura
2) será de grande ajuda. Estes gráficos
são uma das ferramentas e técnicas
estatísticas chave aplicadas numa
iniciativa Six Sigma.

Figura 2. As organizações precisam
de compreender
os seus processos.
(clique na imagem para a visualizar
em tamanho maior)
Em que estado
estão os processos de uma organização,
e como podemos obter essa informação?
Num estado "ideal", o processo está
sob controlo estatístico e responde
aos requisitos dos clientes. Se utilizarmos
um sistema semafórico para as operações,
um estado ideal produzirá uma luz
verde. Através da utilização contínua
do gráfico de controlo, poderemos
monitorizar o processo e garantir
que se mantém no estado ideal.
Um estado limite
(ou fronteira) descreve um processo
que está sob controlo estatístico,
mas que não responde às especificações
do cliente. Obtemos aqui uma luz amarela
e precisaremos de identificar as acções
que estão a ser tomadas ou que estão
planeadas para colocar o processo
num estado ideal. A utilização contínua
do gráfico de controlo permitirá monitorizar
a eficácia dos esforços de melhoria,
além de fornecer evidências de que
essas melhorias tiveram resultados
concretos.
Quando um processo
está aquém do aceitável, até pode
responder aos requisitos dos clientes,
mas não está sob controlo estatístico.
Por outras palavras, tem problemas
específicos e não é previsível. Provavelmente,
haverá alguma confusão, com os gestores
a tomarem decisões "em cima do joelho".
A qualquer momento, o processo poderá
cair no caos. Uma situação de caos
é indicativa de processos que não
estão sob controlo estatístico e que
não respondem às especificações dos
clientes.
Quando um processo
está em estado de caos, ou aquém do
aceitável, temos uma situação de luz
encarnada. A utilização contínua do
gráfico de controlo poderá ajudar
a monitorizar a eliminação de problemas
específicos e a eventual melhoria
do processo. É essencial remover os
problemas específicos dos processos
antes de começarmos a alterá-los para
os melhorar. Caso contrário, esses
problemas irão frustrar os esforços
de melhoria.
A melhoria dos
processos será realizada utilizando
a metodologia Six Sigma apropriada.
Isto poderá soar a improvável a muitos
leitores. No entanto, as organizações
não só costumam ser pobres em termos
de medição, como também parecem inseguras
quanto á forma de implementar projectos
de melhoria. O Six Sigma fornece o
caminho e representa mais uma ligação
para o modelo - envolvimento das pessoas.
É essencial que as pessoas tenham
recebido formação sobre a metodologia,
ferramentas e técnicas. De igual modo,
deverão contar com o apoio e encorajamento
necessários para a implementação de
melhoria nos processos. Precisam de
se sentir capazes e de ser capazes
de colocar os processos à prova e
de melhorar a forma como funcionam.
Também existem
ligações claras com o Six Sigma no
critério de parcerias e recursos.
Por um lado, precisam de ser investidos
recursos numa metodologia e abordagem
Six Sigma. Por outro, podem ser estabelecidas
parcerias com fornecedores e clientes
para a criação de equipas de melhoria
conjuntas utilizando a metodologia
Six Sigma. A melhor forma de melhorar
a cadeia de valor de uma organização
será envolver os fornecedores e os
clientes chave.
As ligações para
os resultados são claras. Toda a abordagem
parece assegurar a excelência a nível
dos resultados. E que resultados poderão
ser? A GE conseguiu poupanças (relacionadas
com Six Sigma) de dois mil milhões
de dólares em 1999 relativamente a
um investimento em formação de 465
milhões de dólares. Existem evidências
crescentes de ambos os lados do Atlântico
que demonstram uma clara correlação
entre a eficaz aplicação da qualidade,
as acções e o desempenho.
A Robinson Capital
Management desenvolveu um índice de
qualidade (Q-100). As 100 companhias
que fazem parte deste índice são líderes
em qualidade de gestão. O Q-100 apoia
o estudo de 1998 realizado por Kevin
Hendricks e Vinod Singhal, que compara
o desempenho de mais de 600 companhias
que ganharam prémios de qualidade
com os desempenhos de outras companhias
das mesmas indústrias, de dimensão
similar, mas que não ganharam esses
prémios.
Nas empresas
que ganharam prémios de qualidade,
no período após a implementação do
sistema de qualidade (um ano antes
de ganharem o prémio até quatro anos
após terem ganho o prémio), os seus
resultados operacionais, o total de
activos e as vendas mais do que duplicaram
relativamente às suas congéneres que
fizeram parte do grupo de controlo
e que não receberam prémios. Estas
são razões mais do que suficientes
para a aplicação da excelência de
negócio e do Six Sigma. No entanto,
isto tem que ser feito de forma adequada
para se conseguir tirar partido de
todo o seu potencial.
Para concluirmos
esta comparação de alto nível relativamente
às duas abordagens, valerá a pena
olhamos também para a proximidade
entre os Fundamental Concepts of Excellence
que estão na base do modelo de Excelência
EFQM e os valores de base que constituem
os alicerces do Six Sigma. De igual
modo, valerá a pena considerar os
seguintes princípios e tomá-los como
referência.
Orientação
aos resultados. O Six Sigma
é orientado aos resultados, com um
enfoque claro no cliente e nas necessidades
de todos os stakeholders relevantes.
Enfoque
no cliente. O enfoque do Six
Sigma consiste na satisfação dos requisitos
chave dos clientes. É necessário perguntar
aos clientes quais são os seus requisitos
e não partirmos simplesmente do pressuposto
que conhecemos esses requisitos.
Liderança
e constância do propósito.
O Six Sigma só pode ser alcançado
com sucesso quando existe um compromisso
genuíno por parte da liderança e da
gestão, evidenciado pelo facto de
também se envolverem no trabalho concreto.
Não basta falar; também é necessário
actuar.
Gestão
por processos e factos. A medição
e a gestão por factos está no centro
da actividade de melhoria de processos
do Six Sigma. As decisões terão que
ser tomadas com base em medições concretas
e não em palpites.
Desenvolvimento
e envolvimento das pessoas.
O Six Sigma fornece as bases para
uma linguagem e valores partilhados
comuns. Precisa de uma cultura de
melhoria pro-activa, a qual só pode
ser alcançada através do desenvolvimento,
do aumento de responsabilidade e do
envolvimento das pessoas da organização.
Aprendizagem,
inovação e melhoria contínua.
O Six Sigma exige melhoria, inovação
e aprendizagem contínuas. Sem isso,
não serão atingidas as ambições de
produtos e serviços sem defeitos.
Desenvolvimento
de parcerias. O Six Sigma reconhece
a necessidade de trabalhar com os
clientes e com fornecedores, de modo
a desenvolver o potencial de relações
mutuamente benéficas. As actividades
de melhoria conjunta são uma característica
comum das organizações Six Sigma maduras.
Responsabilidade
pública. As organizações Six
Sigma também reconhecem as suas responsabilidades
públicas. Os processos, produtos e
serviços livres de defeitos têm o
seu próprio impacto benéfico na comunidade
- por exemplo, através da criação
de empregos, à medida que a quota
de mercado aumenta devido ao alcance
bem sucedido de tais desempenhos.
Baseado num
artigo de John Morgan, intitulado
"Six Sigma - The Route To Business
Excellence", publicado no site www.onesixsigma.com.
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