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A referida expressão
é usada para referenciar o produto
do processo de design. O Learning
Design é assim definido pela IMS Learning
Specification como a "descrição de
um método que possibilita aos alunos
alcançar certos objectivos de aprendizagem".
A especificação LD define a forma
de construir a linguagem baseada em
XML e, deste modo, pode ser criada
uma instância de um documento XML
para descrever um processo de aprendizagem.
A ideia é que este XML seja carregado
numa aplicação que seja IMS-LD (IMS
Learning Design) compatível e então
processado de acordo com o especificado,
sendo apresentados os objectos/actividades
descritos.

Modelo Conceptual do Learning Design.
A importância
da especificação IMS LD
A importância
dos objectos de aprendizagem tem crescido
nos últimos anos e tem-se tornado
o principal enfoque num processo de
e-learning. Existem já várias especificações
que tratam da gestão destes objectos,
assim como dos metadados associados
e da criação de pacotes de conteúdos.
Contudo, existe também um aumento
de dificuldade na criação de objectos
de aprendizagem que não sejam simplesmente
estáticos, contenham factores de motivação
para os formandos, e consigam ser
desenvolvidos isolados do ambiente.
A norma IMS-LD
vai além do design feito para o auto-estudo,
para a criação de conteúdos que permitam
ao formando adquirir conhecimentos.
Esta norma leva as equipas de criação
de processos de e-learning, (sejam
produtores de conteúdos ou gestores
de formação), a reflectir nas actividades
de aprendizagem e no cumprimento dos
objectivos de aprendizagem.
A norma reconhece
que a aprendizagem pode ser feita
sem o recurso a objectos de aprendizagem,
que a aprendizagem é diferente do
consumo de conteúdos, passando a ser
activa. O coeficiente de aprendizagem
aumenta quando os formandos tentam
resolver problemas em contextos sociais
e profissionais.
O IMS LD é uma
linguagem que permite descrever um
processo de aprendizagem, auxiliando
os vários intervenientes no processo
de desenvolvimento de aprendizagem
a identificar quem faz o quê, quando
e que serviços e conteúdos são necessários
para alcançar os objectivos de aprendizagem.
Permite que os
processos sejam desenhados de acordo
com vários perfis de utilizadores,
sendo as actividades especificadas
de acordo com os mesmos e permitindo
ainda a criação de percursos formativos.
O suporte de vários tipos de aprendizagem
colaborativa é outro dos aspectos
encarados com relevante importância,
tanto nas esferas universitárias,
como empresariais.
Problemas
que o IMS LD tenta solucionar
Devido à ausência
de uma forma standard para descrever
o processo de aprendizagem, as equipas
de criação de conteúdos/gestores de
formação têm de usar vários tipos
de linguagens, de técnicas e de desenvolvimentos
à medida para a criação de actividades
e de ferramentas que permitam comunicação,
de modo a que estes elementos possam
ser incorporados em diversas situações
de aprendizagem (processos formativos).
Sem consenso e
formas compatíveis para descrever
a estratégias de ensino, os produtores
de materiais de aprendizagem e as
suas organizações continuariam a ter
dificuldades desnecessárias para:
- Documentar
as estratégias de aprendizagem usadas
com certos materiais;
- Estabelecer
e aderir a procedimentos prescritos,
de forma a assegurar a consistência
da documentação/materiais;
- Assegurar que
as metas de qualidade do ensino
estejam enquadradas entre várias
organizações;
- Reutilizar
elementos de aprendizagem já existentes.
O IMS LD fornece
níveis de abstracção no processo,
permitindo construções genéricas às
várias abordagens pedagógicas. Usando
a norma, os instructional designers
têm a possibilidade de falar em termos
de pedagogia, em vez de tecnologia,
fazendo desse modo escolhas pedagógicas
explícitas e sujeitas à revisão, inspecção,
crítica e comparação.
O IMS LD
e a neutralidade pedagógica
A especificação
IMS LD é muitas vezes discutida em
termos de neutralidade pedagógica,
dado que não tem uma única pedagogia
associada. Contudo, é importante enfatizar
que a pedagogia é fundamental para
o uso do IMS LD. Esta especificação
requer que se pense sobre pedagogia,
de forma a considerar os objectivos
a alcançar e para os quais o processo
de aprendizagem está desenhado. Requer
ainda que se considerem os pré-requisitos
envolvidos, de forma a identificar
quais as actividades e ferramentas
que devem ser usadas no processo de
aprendizagem.
O Learning Design
é um metamodelo pedagógico. Quer isto
dizer que permite que a construção
assente em vários modelos pedagógicos
- por exemplo, aprendizagem baseada
em problemas, aprendizagem baseada
em competências.
Diferentes
níveis do IMS LD
Para facilitar,
tanto a produção da especificação,
como a sua subsequente implementação,
o Learning Design foi dividido em
três níveis: A, B e C. A cada um destes
níveis corresponde um esquema próprio
de implementação, sendo que o nível
B integra também o A e o nível C integra
também o B e, consequentemente, o
A.
- O nível A contém
o "core" do IMS Learning Design:
utilizadores, actividades, recursos,
perfis, etc. Permite a ordenação
de actividades de aprendizagem para
serem efectuadas pelos formandos
e tutores, recorrendo a objectos
de aprendizagem e/ou serviços.
- O nível B adiciona
um maior controlo e complexidade
através da utilização de propriedades
e condições. As propriedades podem
ser internas (locais) ou externas
(globais). São usadas para guardar
informação sobre o utilizador e
preferências do formando, assim
como o seu perfil (se este é um
formando em full-time ou part-time).
As propriedades internas persistem
somente durante a passagem no Learning
Design, enquanto as externas são
guardadas, podendo ser chamadas
e usadas a qualquer altura. As condições
permitem que o percurso formativo
seja traçado de acordo com circunstâncias
específicas, preferências ou características
do formando. Por exemplo, a um dado
formando os recursos podem ser apresentados
de forma aleatória, caso o seu estilo
de aprendizagem ou preferência assim
esteja definido.
- O nível C dá
a oportunidade de um Learning Design
mais sofisticado através de notificações,
ou seja, despoleta-se uma notificação
automática da existência de novas
actividades de acordo com a resposta
dada em certos eventos no processo
de aprendizagem. Permite a automação
do percurso nas actividades, pois
estas são apresentadas de acordo
com os resultados obtidos nas tarefas
propostas. Por exemplo, um tutor
pode ser informado por email que
um trabalho foi submetido e necessita
de avaliação; uma vez que a nota
seja dada, o formando é notificado
para a nova actividade que será
escolhida automaticamente de acordo
com o resultado.
Relação do
IMS LD com as outras especificações
A especificação
IMS Learning Design pode ser considerada
como uma tecnologia de integração
que faz uso, inclui e é alargada a
várias especificações existentes.
A forma standard de incluir especificações
é através de XML.
- IMS Content
Packaging. O IMS Learning Design
é preferencialmente integrado num
IMS Content Package para criar uma
unidade de aprendizagem.
- IMS/LOM Metada.
Existem vários "campos" que permitem
o preenchimento de metadata associada
ao Learning Design.
- IMS Question
and Test Interoperability (QTI).
Os QTI podem ser integrados de duas
formas. A primeira é a integração
destes elementos dentro do Learning
Design como um Learning Object.
Semanticamente, é a forma correcta
para a colocação dos testes. Estes
testes podem ser ligados a actividades,
que dão instruções para completar
o teste apresentado. Outra forma
seria a simples integração dos QTI
como um recurso no IMS Content Package.
- IMS Reusable
Competency Definition. Os objectivos
de aprendizagem e pré-requisitos
podem estar ligados a recursos que
estão definidos segundo esta especificação.
- SCORM. No IMS
Learning Design é possível a inclusão
de conteúdos/pacotes SCORM. É necessário
especificar que o tipo do pacote
é SCORM e o ambiente onde corre
seja compatível com SCORM.
- IMS Simple
Sequencing. É outra especificação
IMS que trata da sequência das actividades
de aprendizagem. É usada para traçar
os percursos de navegação pelas
actividades, podendo ser integrada
dentro do IMS Learning Design.
Existem ainda
outras especificações que podem ser
agregadas pela especificação IMS Learning
Design, mas que não são relevantes
no momento.
O IMS Learning
Design é usado para descrever cenários
de aprendizagem com várias actividades
e serviços associados, permitindo
a utilização de vários tipos de modelos
pedagógicos. Com este standard podemos
considerar que a limitação passará
apenas pela imaginação de quem desenvolve/elabora
os processos de aprendizagem dentro
de uma organização.
Fernando Pinto,
consultor na unidade estratégica de
negócio e-Learning da Sinfic.
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