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Esta semana: Tecnologias e Processos de eLearning  
Newsletter n.º 81  25 Setembro 2006    
 
 

Learning Design

A expressão "Learning Design" (LD) deriva de "Instructional Design", definido como o "processo sistemático de tradução dos princípios gerais de aprendizagem e instrução para planificação de materiais de instrução e aprendizagem".


A referida expressão é usada para referenciar o produto do processo de design. O Learning Design é assim definido pela IMS Learning Specification como a "descrição de um método que possibilita aos alunos alcançar certos objectivos de aprendizagem". A especificação LD define a forma de construir a linguagem baseada em XML e, deste modo, pode ser criada uma instância de um documento XML para descrever um processo de aprendizagem. A ideia é que este XML seja carregado numa aplicação que seja IMS-LD (IMS Learning Design) compatível e então processado de acordo com o especificado, sendo apresentados os objectos/actividades descritos.


Modelo Conceptual do Learning Design.

A importância da especificação IMS LD

A importância dos objectos de aprendizagem tem crescido nos últimos anos e tem-se tornado o principal enfoque num processo de e-learning. Existem já várias especificações que tratam da gestão destes objectos, assim como dos metadados associados e da criação de pacotes de conteúdos. Contudo, existe também um aumento de dificuldade na criação de objectos de aprendizagem que não sejam simplesmente estáticos, contenham factores de motivação para os formandos, e consigam ser desenvolvidos isolados do ambiente.

A norma IMS-LD vai além do design feito para o auto-estudo, para a criação de conteúdos que permitam ao formando adquirir conhecimentos. Esta norma leva as equipas de criação de processos de e-learning, (sejam produtores de conteúdos ou gestores de formação), a reflectir nas actividades de aprendizagem e no cumprimento dos objectivos de aprendizagem.

A norma reconhece que a aprendizagem pode ser feita sem o recurso a objectos de aprendizagem, que a aprendizagem é diferente do consumo de conteúdos, passando a ser activa. O coeficiente de aprendizagem aumenta quando os formandos tentam resolver problemas em contextos sociais e profissionais.

O IMS LD é uma linguagem que permite descrever um processo de aprendizagem, auxiliando os vários intervenientes no processo de desenvolvimento de aprendizagem a identificar quem faz o quê, quando e que serviços e conteúdos são necessários para alcançar os objectivos de aprendizagem.

Permite que os processos sejam desenhados de acordo com vários perfis de utilizadores, sendo as actividades especificadas de acordo com os mesmos e permitindo ainda a criação de percursos formativos. O suporte de vários tipos de aprendizagem colaborativa é outro dos aspectos encarados com relevante importância, tanto nas esferas universitárias, como empresariais.

Problemas que o IMS LD tenta solucionar

Devido à ausência de uma forma standard para descrever o processo de aprendizagem, as equipas de criação de conteúdos/gestores de formação têm de usar vários tipos de linguagens, de técnicas e de desenvolvimentos à medida para a criação de actividades e de ferramentas que permitam comunicação, de modo a que estes elementos possam ser incorporados em diversas situações de aprendizagem (processos formativos).

Sem consenso e formas compatíveis para descrever a estratégias de ensino, os produtores de materiais de aprendizagem e as suas organizações continuariam a ter dificuldades desnecessárias para:

  • Documentar as estratégias de aprendizagem usadas com certos materiais;
  • Estabelecer e aderir a procedimentos prescritos, de forma a assegurar a consistência da documentação/materiais;
  • Assegurar que as metas de qualidade do ensino estejam enquadradas entre várias organizações;
  • Reutilizar elementos de aprendizagem já existentes.

O IMS LD fornece níveis de abstracção no processo, permitindo construções genéricas às várias abordagens pedagógicas. Usando a norma, os instructional designers têm a possibilidade de falar em termos de pedagogia, em vez de tecnologia, fazendo desse modo escolhas pedagógicas explícitas e sujeitas à revisão, inspecção, crítica e comparação.

O IMS LD e a neutralidade pedagógica

A especificação IMS LD é muitas vezes discutida em termos de neutralidade pedagógica, dado que não tem uma única pedagogia associada. Contudo, é importante enfatizar que a pedagogia é fundamental para o uso do IMS LD. Esta especificação requer que se pense sobre pedagogia, de forma a considerar os objectivos a alcançar e para os quais o processo de aprendizagem está desenhado. Requer ainda que se considerem os pré-requisitos envolvidos, de forma a identificar quais as actividades e ferramentas que devem ser usadas no processo de aprendizagem.

O Learning Design é um metamodelo pedagógico. Quer isto dizer que permite que a construção assente em vários modelos pedagógicos - por exemplo, aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem baseada em competências.

Diferentes níveis do IMS LD

Para facilitar, tanto a produção da especificação, como a sua subsequente implementação, o Learning Design foi dividido em três níveis: A, B e C. A cada um destes níveis corresponde um esquema próprio de implementação, sendo que o nível B integra também o A e o nível C integra também o B e, consequentemente, o A.

  • O nível A contém o "core" do IMS Learning Design: utilizadores, actividades, recursos, perfis, etc. Permite a ordenação de actividades de aprendizagem para serem efectuadas pelos formandos e tutores, recorrendo a objectos de aprendizagem e/ou serviços.
  • O nível B adiciona um maior controlo e complexidade através da utilização de propriedades e condições. As propriedades podem ser internas (locais) ou externas (globais). São usadas para guardar informação sobre o utilizador e preferências do formando, assim como o seu perfil (se este é um formando em full-time ou part-time). As propriedades internas persistem somente durante a passagem no Learning Design, enquanto as externas são guardadas, podendo ser chamadas e usadas a qualquer altura. As condições permitem que o percurso formativo seja traçado de acordo com circunstâncias específicas, preferências ou características do formando. Por exemplo, a um dado formando os recursos podem ser apresentados de forma aleatória, caso o seu estilo de aprendizagem ou preferência assim esteja definido.
  • O nível C dá a oportunidade de um Learning Design mais sofisticado através de notificações, ou seja, despoleta-se uma notificação automática da existência de novas actividades de acordo com a resposta dada em certos eventos no processo de aprendizagem. Permite a automação do percurso nas actividades, pois estas são apresentadas de acordo com os resultados obtidos nas tarefas propostas. Por exemplo, um tutor pode ser informado por email que um trabalho foi submetido e necessita de avaliação; uma vez que a nota seja dada, o formando é notificado para a nova actividade que será escolhida automaticamente de acordo com o resultado.

Relação do IMS LD com as outras especificações

A especificação IMS Learning Design pode ser considerada como uma tecnologia de integração que faz uso, inclui e é alargada a várias especificações existentes. A forma standard de incluir especificações é através de XML.

  • IMS Content Packaging. O IMS Learning Design é preferencialmente integrado num IMS Content Package para criar uma unidade de aprendizagem.
  • IMS/LOM Metada. Existem vários "campos" que permitem o preenchimento de metadata associada ao Learning Design.
  • IMS Question and Test Interoperability (QTI). Os QTI podem ser integrados de duas formas. A primeira é a integração destes elementos dentro do Learning Design como um Learning Object. Semanticamente, é a forma correcta para a colocação dos testes. Estes testes podem ser ligados a actividades, que dão instruções para completar o teste apresentado. Outra forma seria a simples integração dos QTI como um recurso no IMS Content Package.
  • IMS Reusable Competency Definition. Os objectivos de aprendizagem e pré-requisitos podem estar ligados a recursos que estão definidos segundo esta especificação.
  • SCORM. No IMS Learning Design é possível a inclusão de conteúdos/pacotes SCORM. É necessário especificar que o tipo do pacote é SCORM e o ambiente onde corre seja compatível com SCORM.
  • IMS Simple Sequencing. É outra especificação IMS que trata da sequência das actividades de aprendizagem. É usada para traçar os percursos de navegação pelas actividades, podendo ser integrada dentro do IMS Learning Design.

Existem ainda outras especificações que podem ser agregadas pela especificação IMS Learning Design, mas que não são relevantes no momento.

O IMS Learning Design é usado para descrever cenários de aprendizagem com várias actividades e serviços associados, permitindo a utilização de vários tipos de modelos pedagógicos. Com este standard podemos considerar que a limitação passará apenas pela imaginação de quem desenvolve/elabora os processos de aprendizagem dentro de uma organização.

Fernando Pinto, consultor na unidade estratégica de negócio e-Learning da Sinfic.

 

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