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De onde veio
o ITIL?
O ITIL começou
na década de 80, quando a inglesa
CCTA (Central Computer and Telecommunication
Agency), agora conhecida por OGC (Office
of Government Commerce), tomou a decisão
de que devia haver uma melhor forma
para as TI funcionarem. A CCTA criou
um grupo de estudo para desenvolver
uma nova aproximação à gestão das
tecnologias de informação.
O grupo criou
a versão um do ITIL, na altura chamada
GITIM (Government Information Technology
Infraestructure Management). A versão
1 do ITIL era bem diferente da presente
versão, com parte dessas diferenças
a deverem-se à maturidade gradual
do ITIL e às mudanças na indústria
das TI.
A versão dois
do ITIL foi criada em 2001, apresentando-se
como um conjunto de oito livros, a
saber:
1. Suporte a
Serviços
2. Entrega
de Serviços
3. Perspectiva de Negócio
4. Gestão de Infra-estruturas TI
5. Gestão de Aplicações
6. Gestão de Segurança
7. Planificação e Implementação
8. Gestão de Recursos de Software
Os dois blocos,
Suporte a Serviços e Entrega de Serviços,
constituem o coração do ITIL.
Algumas dificuldades
na implementação do ITIL
A adopção do ITIL
pode não ser fácil, nem rápida, nem
barata. Uma das razões é que as TI
não têm funcionado como um negócio.
Têm o hábito de operar como um grupo
que pode utilizar recursos e fornecer
serviços do modo que acha que se ajusta.
Não tem sido prática
corrente as TI funcionarem com base
em necessidades do negócio documentadas.
Onde isto se nota mais evidentemente
é nas muitas organizações que têm
uma grande falta de processos de gestão
de alterações. Nestas organizações,
as frequentes alterações nos sistemas
têm um efeito adverso na produtividade
de toda a organização.
A estrutura do
ITIL é sobre processos, não sobre
organizações. Muitas organizações
passaram anos a dividir os recursos
de TI em blocos de responsabilidade,
de hardware, de software e de equipas
de funcionários. Redefinindo estes
blocos para remeter os processos dentro
da estrutura ITIL e fazendo com que
as informações necessárias passem
entre processos, pode constituir o
maior e mais difícil desafio.
A implementação
do ITIL não pode ser realizada em
seis meses. Mas, normalmente, é esperado
que projectos de TI mostrem resultados
positivos ou que fiquem completos
dentro de seis meses. O ITIL não consegue
nenhum destes marcos. Só consegue
ser mensurável após anos, ao invés
de meses.
Implementar o
ITIL também pode requerer novos recursos.
A tecnologia presente na organização
em causa pode não ser capaz de suportar
os processos ou a intercomunicação
entre processos exigidos pelo ITIL.
Apesar da estrutura do ITIL ser à
base de processos, só pode funcionar
de forma eficiente se existirem as
ferramentas correctas para suportar
os processos e a troca de dados entre
processos.
Outra dificuldade
reside na determinação do "por onde
começar." Duas questões colocadas
frequentemente são:
- Tenta-se fazer
tudo ao mesmo tempo?
- Como se trata
de um grande empreendimento, por
onde se deve começar?
A resposta à
primeira questão é "não". Tentar fazer
tudo ao mesmo tempo é muito difícil
e só vai aumentar as probabilidades
de fracasso. A resposta à segunda
questão depende de cada organização.
O ITIL fornece flexibilidade em termos
de abordagem, não requerendo uma metodologia
específica. Normalmente aconselha-se
que se observem os processos actuais
e ver quais desses processos combinam
melhor com a descrição dos processos
nos livros de suporte a serviços ou
entrega de serviços, e depois começar
com estes, tentar pegar nesses processos
e mostrar resultado positivo a curto
prazo.
Mesmo que a implementação
do ITIL possa ser difícil, o importante
é que a adopção a longo prazo das
boas práticas têm mostrado um retorno
positivo do investimento. O ITIL constrói
uma organização forte, que relaciona
os serviços fornecidos com as necessidades
presentes e futuras do negócio, além
de fornecer o serviço eficiente em
termos de custo.
Qual o ROI
esperado na implementação do ITIL?
A implementação
do ITIL pode ter custos elevados.
Consequentemente, pode perguntar-se
onde as organizações esperam obter
o retorno desses investimentos, ou
ROI? Segue-se uma lista parcial dos
benefícios:
- O ITIL tornou-se
nas melhores práticas de facto para
as TI. A grande propagação da adopção
do ITIL na indústria fornece orientações
que nos indicam o que irá funcionar
e o que nãoirá funcionar.
- O ITIL vem
com um dicionário comum, um aspecto
que tem faltado no mundo das TI.
- Melhora a gestão
financeira das TI e fornece uma
melhor combinação dos serviços de
TI com as necessidades de toda a
organização.
- Melhora o relacionamento
entre as TI e a organização à qual
é fornecido o serviço.
- Melhora a utilização
da infra-estrutura de TI.
- Melhora a utilização
do pessoal das TI.
- Melhora a reputação
das TI dentro da organização.
Por onde
se deve começar?
Para a maior parte
das organizações, a educação ou a
formação deve ser a primeira etapa.
O ITILfornece um dicionário comum
de terminologia de TI. Muitas empresas
começam por exigir a muitos ou a todos
os seus funcionários uma formação
nos fundamentos do ITIL. Esta formação
tem uma duração entre dois a três
dias. Muitas dessas empresas exigem
que esta formação inclua um teste
de certificação. Essa formação fornece
uma compreensão comum da estrutura
do ITIL e uma linguagem comum para
uma mais cuidada discussão durante
a implementação.
A segunda etapa
consistirá em designar alguém como
gestor do projecto de adopção do ITIL.
A adopção do ITIL está ao nível de
um grande projecto, pelo que exige
uma supervisão formal. O gestor do
projecto deve ser um ITIL Certified
Service Manager ou, no mínimo, ter
um conselheiro certificado. Trata-se
de um projecto de longo prazo, e todos
os esforços devem ser feitos no sentido
de ter a mesma certificação na gestão
dos serviços para poder disponibilizar
a continuidade da implementação do
ITIL.
A terceira etapa
inclui mais formação. Assim que vão
sendo feitos progressos na implementação
de cada um dos processos do ITIL,
o gestor de cada processo pode ser
indicado para uma formação especial
em ITIL Practitioner Certificate,
que abarque o processo pelo qual é
responsável.
ITIL: o
que não é
Uma organização
pode conseguir muitos benefícios importantes
ao implementar as melhores práticas
do ITIL, mas em muitas das organizações
há ainda muito trabalho a ser feito.
É preciso ter cuidado ao desenhar
a linha entre procurar benefícios
atingíveis e o que é meramente ajustável
com tecnologia. Será de grande utilidade
olhar para o que o ITIL não é:
- O ITIL não
é uma metodologia para implementação
de processos de gestão de serviços
de TI. É antes uma estrutura flexível
que se pode moldar para ir de encontro
às necessidades específicas de cada
organização.
- O ITIL não
contém mapas detalhados dos processos.
Fornece os fundamentos e informações
necessários para criar e melhorar
os processos.
- O ITIL não
fornece instruções de trabalho.
Por exemplo, o processo de gestão
de incidentes diz-nos em que ponto
podemos começar a escalonar um incidente,
mas não nos diz como o devemos escalonar,
ou a quem o devemos escalonar. Isso
só pode ser determinado por cada
organização em concreto.
É bom termos em
mente que o ITIL não é uma resposta
completa para tudo, embora forneça
uma base sólida. Temos de pensar no
ITIL da seguinte forma: memorizar
as regras de basquetebol não significa
que podemos jogar o jogo. Para jogar,
não só temos de seguir as regras,
como também temos de aprender a utilizar
as nossas forças e habilidades. Similarmente,
memorizando os livros do ITIL não
significa que se possa efectivamente
implementar os processos do ITIL.
Só poderá implementar com sucesso
as melhores práticas do ITIL se perceber
as competências e as capacidades das
suas TI.
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