- Quem são as
partes interessadas, quais são as
suas necessidades, e se essas necessidades
estão a ser satisfeitas?
- Quais são os
motivadores (negócio, tecnologia)?
- Qual será o
impacto se não se fizer nenhuma
mudança, quer na organização de
TI, quer no negócio?
- Que processos
estão presentemente a ser utilizados?
- Que competências
existem?
- Quais as tecnologias
disponíveis?
Ao arranjar tempo
para perceber o status quo, ficará
com uma melhor compreensão da dimensão
e da complexidade do seu programa
de melhoria.
Ao longo dos anos,
tem vindo a tornar-se evidente que
algumas abordagens à implementação
do ITIL têm mais sucesso do que outras,
especialmente no que se refere aos
benefícios a longo prazo para o negócio
e ao alcance de um a situação de excelência
dentro da organização de TI. Idealmente,
uma implementação de ITIL com sucesso
significa que as pessoas da organização
assimilaram, na sua cultura, os processos
e procedimentos do ITIL.
Uma das abordagens
ao TIL consiste em implementá-lo "by
the book ", ou seja, tentar a implementação
à letra. Este caminho para a implementação
significa tipicamente ler todos os
livros do ITIL, contratar um consultor
que traduza os livros em partes indigeríveis
de processos e procedimentos, e distribui-las
por toda a organização. Mas será esta
uma abordagem prática? E será prontamente
empregue pela organização?
A abordagem "by
the book" é certamente um caminho
para a implementação do ITIL. Mas
antes de tomar a decisão de seguir
esta via, é aconselhável considerar
alguns aspectos frequentemente negligenciados:
- Aspecto 1.
Os livros em si são meros guias;
não são leis. Nenhum dos autores,
contribuintes, ou publicadores espera
que as organizações sigam todas
as palavras das suas publicações.
- Aspecto 2.
Não pode nunca implementar o ITIL
só com processos e tecnologia. É
necessário envolver as pessoas.
O ITIL recomenda atenção a três
componentes: pessoas, processos
e tecnologia. As mudanças nos processos
melhoram a eficácia e a eficiência.
As mudanças na tecnologia reduzem
os custos e aceleram as respostas.
Mas é preciso mudar as pessoas para
desenvolverem a cultura necessária
para melhorar o suporte ao negócio
e optimizar a disponibilidade dos
serviços críticos de TI.
Tendo em conta
o elemento pessoas e cimentando nelas
as mudanças na cultura dentro da organização,
assegura-se que as melhorias são bem
difundidas e conseguidas. Se ignorarmos
as pessoas e utilizarmos uma abordagem
tipicamente culta, usando os vários
livros, ou baseando-nos somente nos
processos dos livros, não existirá
uma percepção correcta do que fazer
com eles. Consequentemente, corre-se
o risco de desperdiçar tempo e dinheiro.
Existe uma abordagem
mais prática à implementação do ITIL
- aquela que oferece maior probabilidade
de eficácia e uma adopção sustentada.
Primeiro, avalia-se as necessidades
da organização e depois integra-se
e automatiza-se o ITIL, considerando
todos os três elementos: pessoas,
processos e tecnologia. Esta abordagem
é mais adaptada às necessidades próprias
da organização. Uma vez que são consideradas
as pessoas e os problemas da mudança
cultural destas, esta abordagem facilita
a divulgação e a sustentação dos processos
ao longo de toda a organização. Assim
que o ITIL se tornar no modo por omissão
de fazer as coisas, os processos são
selectivamente escolhidos do standard
ITIL e adaptados apropriadamente no
ambiente da organização - pois eles
tornaram-se parte da cultura.
Seguem-se as cinco
razões que dão o título a este artigo.
1. As mudanças
nas organizações são muito difíceis
Se não se tiver
em consideração a componente pessoas,
o CSIP está condenado ao fracasso.
Muitas organizações querem evitar
este aspecto muito importante, seja
porque não percebem a sua importância,
ou porque se sentem confusas e não
sabem como agir com as pessoas. As
mudanças nas organizações são difíceis
e, tal como os processos e as tecnologias
de implementação do ITIL, variam grandemente
com base na dimensão, estrutura e
cultura. As organizações mais eficazes
nos seus esforços seguem uma abordagem
ao ITIL em vários níveis:
- Formação para
os funcionários e gestores de TI.
Utilizar um vocabulário comum e
uma percepção comum das melhores
práticas de gestão de serviços.
Caso não seja disponibilizado tempo
e orçamento para envolver todos
os funcionários na formação ITIL
Foundations, será conveniente levar
um formador à organização para conduzir
vários seminários sobre processos
de suporte e de entrega de serviços.
- Simulações
para os clientes e gestores (quer
sejam de TI ou não). As simulações
disponíveis ilustram os desafios
que o departamento de TI enfrenta
e o valor da melhoria do processo
no realce da entrega de serviços.
As simulações aumentam tipicamente
o voluntariado e o nível de compromisso
dos funcionários na melhoria dos
processos, e mostram aos participantes
de TI que as melhorias são possíveis.
As organizações de consultoria e
formação introduziram recentemente
ferramentas de simulação que demonstram
os benefícios de tais modelos, permitindo
que uma organização funcione de
forma mais eficaz e eficiente, tanto
em tempos de carga de trabalho normal,
como nos momentos de stress. Estes
simuladores ajudam as organizações
a desenvolverem capacidades para
se adaptarem a situações de crise,
como por exemplo, as que se encontram
num ambiente de controlo de tráfego
aéreo, ou numa missão espacial.
Estas ferramentas demonstram efectivamente
aos gestores seniores as vantagens
de tais modelos de processos.
- Workshops com
as partes interessadas para facilitar
os esforços de planificação. Tente
envolver todos os funcionários,
clientes e todas as partes interessadas
no processo de desenvolvimento.
Isto requer um grau de compromisso
de tempo em termos de calendarização
dos workshops, e aconselha-se vivamente
a presença de um consultor externo
para facilitar o workshop e manter
as coisas no bom caminho.
2. Não conhece
o seu status quo
A primeira questão
a colocar não é "onde se quer ir",
mas antes "onde se estás agora" É
preciso pensar em tudo isto como uma
longa estrada que se vai percorrer.
A menos que se saibam algumas coisas,
tais como o ponto de partida, os objectivos
para a viagem, e o ponto de chegada,
será difícil desenvolver um plano
eficaz do itinerário. Muitas organizações
saltam a pergunta "onde estamos agora"
e tentam desenhar um processo novo
no vazio, tendo depois que suportar
as consequências negativas que daí
advêm.
3. Já possui
a tecnologia
Ouve-se com muita
frequência o seguinte: "nós já temos
a ferramenta para executar o processo
xpto, logo o processo está completo".
Nada mais errado - de vários pontos
de vista. Recorde-se que o ITIL requer
pessoas, processos e tecnologia. A
tecnologia em si quase nunca é uma
solução adequada. O que é mais útil?
Uma boa ferramenta usada ineficientemente
ou uma ferramenta medíocre implementada
inteligentemente? A última pode ser
uma componente importante numa gestão
de serviços com maturidade. A anterior
pode ser um erro muito caro.
Não deixe que
as ferramentas substituam as necessidades
de formação para todos os funcionários
e o desenvolvimento de processos.
Um louco com uma boa ferramenta continua
a ser um louco. O primeiro enfoque
deve residir no desenho dos processos
que vão de encontro às necessidades
da organização.
4. O trabalho
interfere/prejudica
A razão mais comum
que está na base de atrasos dos projectos
ITIL é a interferência no dia a dia
do negócio. Isto acontece mesmo quando
existe suporte para o projecto, vindo
de todos os níveis da gestão de TI.
No choque entre "continuar o trabalho
normal" versus "melhoramento operacional"
no mundo real, as actividades de negócio
saem sempre a ganhar. Isto é esperado
e é razoável. O negócio precisa de
continuar, a resposta aos serviços
do negócio tem precedência sobre as
tentativas de melhorar as TI. Então
como conseguir arrancar com a melhoria
dos processos e continuar a actividade
normal? O primeiro enfoque é sempre
no CSIP.
Uma abordagem
ao CSIP reconhece que poucas organizações
estão a ter tempo ou recursos para
conduzir uma revisão completa dos
seus serviços de TI. O CSIP é um meio
de estabelecimento e organização de
uma série de acordos sobre a melhoria
de processos (tácticos ou estratégicos),
incluindo priorização e recursos.
Quanto mais pequenos e focalizados
forem os itens, mais hipóteses têm
as organizações de tirar um pouco
de tempo às tarefas diárias e colocarem
o enfoque na realização das melhorias
de TI. Um CSIP é gerado como o primeiro
projecto de entrega e requer uma revisão
pelo menos mensalmente.
5. Áreas
diferentes da organização têm diferentes
prioridades
Depois de uma
organização ter pensado em implementar
as melhorias de serviços de TI, quase
sempre se regista um aumento de tensão
entre aqueles que têm responsabilidades
estratégicas e aqueles que têm responsabilidades
tácticas. Os pensadores estratégicos
tipicamente querem colocar o enfoque
em catálogos de serviço e na gestão
financeira, enquanto que as equipas
tácticas sabem que o enfoque deve
estar direccionado para operações
do dia a dia, tais como controlo de
mudanças e gestão de incidentes.
Se escolhermos
uma abordagem puramente táctica, os
responsáveis pela estratégia ficam
amuados. Se escolhermos um caminho
estritamente estratégico, a equipa
táctica vai ver o ITIL como algo que
lhes está a ser impingido e que não
melhorará as suas operações do dia
a dia.
Para se ter sucesso,
é vital que as energias sejam orientadas
para a melhoria de processos - não
em partes da organização. O melhor
caminho para o fazer é atribuir a
cada parte da organização o seu "
pedaço". Deixe a equipa táctica encarregar-se
da melhoria da gestão das mudanças,
e a equipa estratégica com o desenvolvimento
de chaves indicadoras de desempenho.
Por outras palavras, esteja preparado
para suportar actividades de melhoria
de forma concorrente.
Conclusão
Implementer o
ITIL "by he book" tem provado ser
uma tarefa quase sempre impossível
para muitas organizações. As melhores
práticas sugerem a seguinte aproximação:
uma implementação faseada em vários
estágios, começando pela gestão de
incidentes, seguida pela gestão da
configuração. As métricas de qualidade
de serviço devem ser introduzidas
o quanto antes, acompanhadas de um
forte enfoque em tarefas automáticas
de repetição.
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