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História Geral da Biometria


Biometria

A biometria é um grupo de tecnologias sobre segurança de alto nível. O elemento chave destas tecnologias é a sua capacidade para estabelecerem identidades e reforçarem a segurança. Este é um ponto extremamente importante no nosso mundo actual. Os aviões, bancos, presídios, redes de computadores, sistemas de pagamento e até mesmo o processo de votação, são todos susceptíveis a brechas de segurança. A biometria está agora activa nessas diversas áreas e está a ir para além dos mercados tradicionais de segurança e de forças policiais.

As bases da biometria são sempre ofuscadas pelo potencial das tecnologias nucleares. Porém, conhecer os princípios por detrás de todas as biometrias é essencial para qualquer parte interessada. Um utilizador informado toma decisões correctas, não se deixando persuadir pela retórica, e tende a sentir-se menos frustrado depois da tecnologia ter sido implementada.

Definição

O termo abrangente "biometria", per si, refere-se a uma ciência, envolvendo a análise estatística de características biológicas. No entanto, quando falamos sobre biometria estamos a falar de tecnologias que analisam as características humanas para fins de segurança. A ciência estatística da biometria continua como pano de fundo e deverá ser tratada separadamente. Uma das definições mais aceites da biometria diz que é uma característica única mensurável ou um traço do ser humano que automaticamente reconhece ou verifica sua identidade.

As tecnologias biometrias dizem assim respeito às partes físicas do corpo e aos traços pessoais dos seres humanos. É importante notar a palavra "automaticamente" na definição anterior. Isto significa principalmente que a tecnologia biométrica deve reconhecer ou verificar uma característica humana de forma rápida e automática, em tempo real. As biometrias físicas mais comuns são o olho (íris e retina), face, impressão digital, mão e voz. A assinatura e o ritmo dactilográfico são biometrias comportamentais.

Os produtos biométricos alcançam sempre níveis de segurança elevados. Podemos distinguir três níveis de segurança:

  • O nível mais baixo de segurança é algo que temos, como um cartão de identificação com uma foto;
  • O segundo nível de segurança é algo que sabemos, como uma palavra de passe para aceder a um computador ou um número de identificação pessoal (PIN) para aceder a uma caixa multibanco;
  • O mais alto nível de segurança é uma tecnologia biométrica - algo que fazemos e algo que faz parte do nosso próprio ser.

No desenvolvimento de sistemas de identificação biométricos são necessárias características físicas e comportamentais para o reconhecimento, como as que se seguem:

  • Precisam de ser tão únicas quanto possível; ou seja, um traço idêntico mas que é único de pessoa para pessoa (singularidade);
  • Existem em tantas pessoas quanto possível (universalidade);
  • Podem ser medidas com instrumentos técnicos simples (mensurabilidade);
  • São fáceis e confortáveis de serem medidas (utilização amigável).


História

De um modo não sofisticado, a biometria já existe há séculos. Partes do nosso corpo e aspectos de nosso comportamento têm sido usados no decorrer da história como um modo de identificação. Nós lembramo-nos e identificamos uma pessoa pelo seu rosto ou pelo som de sua voz. Por outro lado, uma assinatura tem sido o método estabelecido para a autenticação nos bancos, em contratos legais e em muitas outras ocasiões.

Francis Galton é considerado um dos fundadores do que chamamos hoje biometria: a aplicação de métodos estatísticos para fenómenos biológicos. As suas pesquisas em capacidades e disposições mentais, que incluíam estudos de gémeos idênticos, foram pioneiras em demonstrar que vários traços são genéticos. A paixão de Galton pela medição permitiu que ele abrisse o Laboratório de Antropométrica na Exibição Internacional de Saúde em 1884, onde recolheu estatísticas de milhares de pessoas. Em 1892, Galton inventou o primeiro sistema moderno de impressões digitais. Adoptado por departamentos de polícia um pouco por todo o mundo, as impressões digitais eram a forma mais confiável de identificação, até o advento da tecnologia do ADN em finais do século XX.

Os avanços comerciais na área da biometria começaram na década de setenta. Durante este período, um sistema chamado Identimat foi instalado num número de locais secretos para controlo de acesso. O sistema media a forma da mão e olhava principalmente para o tamanho dos dedos. A produção do Identimat acabou na década de oitenta. A sua utilização foi pioneira na aplicação da geometria da mão e abriu caminho para a tecnologia biométrica como um todo.

Paralelamente ao desenvolvimento da tecnologia de mão, a biometria digital estava a progredir nas décadas de sessenta e setenta. Durante este tempo, algumas companhias estavam envolvidas com a identificação automática das imagens digitais para auxiliar as forças policiais. O processo manual de comparação de imagens digitais com registos criminais era longo e precisava de muito trabalho manual.

No final dos anos sessenta, o FBI começou a verificar as imagens digitais automaticamente e em meados da década de setenta já tinha instalado uma quantidade de sistemas de scanners digitais automáticos. Desde então, o papel da biometria nas forças policiais tem crescido rapidamente e os Automated Fingerprint Identification Systems (AFIS) são utilizados por um número significativo de forças policiais em todo o mundo. Com base nesse sucesso, a biometria por scanner das impressões digitais está agora a explorar o campo dos mercados civis.

Outras técnicas têm evoluído ao lado das biometrias pioneiras dos anos sessenta e setenta. O primeiro sistema a analisar o padrão único da retina foi introduzido na metade dos anos oitenta. Enquanto isso, o trabalho de John Daughman, da Universidade de Cambridge, abriu caminho para a tecnologia de íris. A actual verificação da voz possui raízes nos empreendimentos tecnológicos dos anos setenta; enquanto biometrias como a verificação de assinaturas e o reconhecimento facial são relativamente novas na indústria.

A migração da pesquisa e desenvolvimento rumo à comercialização continua até hoje. As pesquisas realizadas por universidades e por fornecedores biométricos em todo o mundo são essenciais para redefinir o desempenho das biometrias existentes. Entretanto, estão a ser desenvolvidas novas técnicas e mais variadas. A parte mais difícil é colocar um produto no mercado e provar o seu desempenho operacional. É necessário tempo para que um sistema se torne completamente utilizável. Entretanto, tais sistemas são colocados em funcionamento, submetendo-se à mais variada gama de aplicações.

Baseado em informação publicada no site da CBA (Consultores Biométricos Associados).

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